De debate em debate degradação aumenta

Avenida Dr. Lourenço Peixinho A Avenida Dr. Lourenço Peixinho, principal artéria citadina de Aveiro, esteve uma vez mais em debate e a conclusão foi aquilo que toda a gente vê: a avenida está cada vez mais degradada e com menos “vida”.

Outra ideia forte dos dois dias de debate foi que qualquer solução para a Avenida Dr. Lourenço Peixinho passa também pelas ruas vizinhas, nomeadamente no que se refere à reformulação do tráfego rodoviário.

O Prof. Carlos Borrego, da Universidade de Aveiro, revelou um dado interessante: desde o ano 2000 que, de uma forma sistemática, não se medem os níveis de poluição atmosférica (nomeadamente de partículas e de ozono) na Avenida. No entanto, já nessa altura, houve dias em que esses níveis estiveram acima dos máximos recomendados pela União Europeia.

Poluição sentida

Tendo em atenção o considerável aumento de tráfego automóvel verificado nestes últimos anos, tráfego que uma previsão da Universidade de Aveiro estima em cerca de dez mil veículos por dia, é muito possível que os níveis de concentração de monóxido de carbono e de outros poluentes tenham aumentado significativamente. Por isso, este investigador universitário foi peremptório em afirmar que qualquer solução para a Avenida terá que ponderar muito bem as questões de poluição atmosférica e a associação destas com as condições climatéricas e meteorológicas.

A associação entre poluição atmosférica e condições climatéricas (como correntes e direcção dos ventos predominantes) é importante, na opinião de Carlos Borrego, para se conhecer os locais de maior concentração de poluentes e também os respectivos “corredores” de dispersão, tanto ao nível do solo (peões) como em altura (varandas dos prédios). Na Avenida, nos dias em que o vento sopra do lado norte (que são a sua maioria), ao nível do solo há uma maior concentração de partículas e de ozono no passeio do lado norte, com níveis que, por vezes, ultrapassam os máximos indicados na legislação.

Ideias como rentabilizar o investimento efectuado com o túnel sob a Estação da CP e a não necessidade de mais parques de estacionamento pago na Avenida (porque os existentes na cidade têm baixa ocupação) foram praticamente aceites por todos os intervenientes.

Pedonização?

No restante, houve opiniões muito diversas, desde fazer da Ave-nida um espaço mais vocacionado para actividades culturais, até à “pedonização” de troços da Avenida, passando por operações de estética (conservação das fachadas dos imóveis mais característicos e a construção de relevantes e arrojados projectos arquitectónicos) e pela atracção de mais comércio e serviços.

A Câmara Municipal de Aveiro e o Estado foram acusados por, nos últimos anos, terem fechado (ou transferido para outros locais da cidade), importantes serviços públicos, não conseguindo instalar outros em sua substituição. A Loja do Cidadão e creches / jardins-de-infância, foram alguns dos exemplos dados.

Recuperação dos imóveis

Em qualquer projecto de renovação da Avenida, os proprietários dos imóveis também têm que ser ouvidos porque a imagem da Lourenço Peixinho passa também pelos edifícios aí instalados. A degradação dos imóveis é uma consequência da desmotivação sentida pelos seus proprietários em investirem na recuperação dos edifícios que, apesar de bonitos e identificadores de uma época, não são rentáveis economicamente. Ora, como foi dito no debate, a resposta a esta questão é decisiva para todo o resto, porque nem a autarquia nem o Estado têm dinheiro e poder suficiente para obrigarem os proprietários a restaurarem os imóveis, nem os proprietários estão interessados em investir em projectos não rentáveis.