Ninguém pode excluir-se da responsabilidade pelo bem comum

Decorre a preparação da Semana Social Semana Social sobre a responsabilidade de todos no bem comum, a realizar em Aveiro, em Novembro de 2009, foi apresentada um ano antes para que possa ser preparada pelas bases. Ninguém pode excluir-se da responsabilidade pelo bem comum

“Queremos multiplicar os dias da Semana Social. Começamos hoje, um ano antes, a pedir a todos que a preparem, debatendo já as perspectivas a abordar”, afirmou D. Carlos Moreira Azevedo, no dia 20 de Novembro, em conferência de imprensa no Centro Cultural e de Congressos, o local que acolherá a iniciativa.

O Bispo auxiliar de Lisboa e responsável pela Comissão da Pastoral Social na estrutura da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) adiantou “interrogações a exigir resposta clara e lúcida”. Podem ser pistas para a reflexão que a organização deseja que aconteça nos grupos cristãos, “em cada diocese, em cada vigararia [arciprestado], em cada centro social paroquial, em cada misericórdia” (ver texto).

Com o tema geral da semana, “A construção do bem comum: responsabilidade da pessoa, da Igreja e do Estado”, pretende-se sublinhar a responsabilidade. “Na mentalida-de colectiva do português – afirma D. Carlos Azevedo – sobrecarrega-se o papel das instituições, como o Estado e até a Igreja, nas falhas e limites sociais. O dinamismo do cidadão, a mobilização para inovar e pôr de pé formas pequenas e concretas de comunhão, de gestos solidários é insuficiente e por vezes muito deficiente”.

Cristãos empenhados,

mas pouco reflexivos

As semanas sociais acontecem de três em três anos (a última foi em Braga, em 2006, e teve como te-ma “uma sociedade criadora de emprego”), abertas a todos, mediante inscrição, reunindo algumas centenas de pessoas, mas não tantas quantas os responsáveis desejam. “Uma semana de pastoral litúrgica congrega mais de mil pessoas; a semana social apenas umas trezentas”, afirma D. Carlos Azevedo.

O Bispo auxiliar de Lisboa não acha que os cristãos portugueses estejam mais preocupados com a oração no interior da igreja do que com o compromisso social, mas considera que “há pouca reflexão e debate sobre o que se vai fazendo no campo social”. Refere ainda que “há muito sentimentalismo perante uma onda, uma dificuldade, mas o empenho não é muito forte”. “É necessário reflectir sobre o que se faz e [descobrir] o modo melhor de o fazer”. A Semana de 2009 pretende inverter a situação enchendo o Centro Cultural e de Congressos com reflexão de qualidade e assistência motivada.

Interrogações para preparar a reflexão

D. Carlos Azevedo lançou as seguintes questões que exigem “resposta lúcida e clara”. Estarão em foco em Novembro de 2009 e, até lá, podem servir para antecipar os debates: “Qual o papel do Estado perante a sociedade? A afirmação de menos Estado e melhor Estado o que significa realmente? Está em curso uma mudança de paradigma ou a alternância do já visto? A religião serve para cultivar o individualismo ou move para o bem comum? Qual o papel da religião para sustentar as pessoas na dedicação ao bem comum, as renovar pela reconciliação? As comunidades religiosas terão futuro na vertente social ou o Estado tenderá a concentrar todas as iniciativas? Numa sociedade plural, como se desenvolve a laicidade aberta e sadia? Porque resistem em Portugal alguns laicismos ultrapassados e se organizam, até? A construção da justiça e da paz beneficiarão de uma laicidade esclarecida? Quais as implicações da Concordata de 2004 nas tarefas sociais da Igreja Católica? A educação da liberdade compete à família, à escola aos meios de comunicação social?” Muitas questões, muitos debates possíveis.

Palestrantes e temas

Prémio Nobel da Economia convidado

Semana Social de Aveiro está a ser preparada por um grupo de trabalho em que se destacam Manuel Porto, presidente da comissão organizadora, e Francisco Costa Pinto, presidente da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Aveiro.

Os palestrantes e temas para os dias 20, 21 e 22 de Novembro de 2009 já estão definidos, faltando apenas a confirmação de Andrea Riccard (italiano, fundador da Comunidade de Santo Egídio) e Amartya Sen (indiano, prémio Nobel da Economia em 1998). Foram convidados para falar de a laicidade esclarecida e propositiva na sociedade plural e sobre a responsabilidade das pequenas comunidades e iniciativas empresariais no contexto da globalização, respectivamente.

Os outros conferencistas (e temas) são: Barbosa de Melo (mudança na relação do Estado com a sociedade), D. José Policarpo (o lugar da religião na edificação do bem comum), Joaquim Azevedo (religião e educação para o bem comum), Isabel Neto (saúde e assistência religiosa), João Menezes (novo rosto para as instituições de solidariedade social), Maria Amaral Pinto Correia (direitos e deveres sociais), Fernando Catroga (consequências da evolução da laicidade no empenhamento na justiça e na paz), Rui Medeiros (implicações sociais da Concordada para a Igreja), Júlio Pedrosa (educação da liberdade).