À Luz da Palavra – XIV Domingo Comum – Ano C O dom da paz, como promessa do Senhor, é o centro para o qual converge a palavra deste domingo. A paz é um fruto do Espírito Santo, isto é, produz-se nas pessoas que se deixam animar e conduzir por Ele. È um dom que tende a difundir-se. Quem o possui não o pode guardar só para si, mas irradia-o à sua volta. A liturgia interroga-nos fortemente sobre o nosso modo de ser cristão e cristã e anuncia-nos, ao mesmo tempo, as consolações que nos podem advir, se vivermos de acordo com as inspirações desta palavra.
Na primeira leitura, o Senhor, pela boca do profeta Isaías e utilizando a imagem do amor da mãe pelos seus filhos, consola o seu povo esmagado e ressequido pelas agruras do exílio da Babilónia, anunciando-lhe a alegria do regresso, que se aproxima. Então o povo poderá deliciar-se, como a criança consolada com o leite materno. Ele, o Senhor, o afirma: “Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente trasbordante”.
No evangelho, Lucas relata-nos os ensinamentos de Jesus sobre o modo como podemos usufruir desta paz e como, por nossa vez, a podemos transmitir aos outros. Ao enviar os seus setenta e dois discípulos, dá-lhes orientações muito concretas para a missão: “Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes em alguma casa, dizei primeiro: «Paz a esta casa»”.
Na segunda leitura, Paulo afirma-se pacificado, não pelo facto de ser circuncidado e, por isso, fazer parte integrante do povo escolhido, mas porque é uma nova criatura em Cristo, que lhe trouxe a paz duradoura, aquela que não tem retorno. Pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo fez de nós um só povo e, de muitas nações e culturas nos reuniu para constituirmos o seu corpo. “Ele é, de facto, a nossa paz”.
A paz é, hoje, o conteúdo da evangelização, como o foi outrora. Dar a paz ou ser portador de paz é o mesmo que ser portador de Cristo, que nos reconciliou com o Pai. A paz é a síntese de muitos outros dons; é o fruto maduro do cristão e da cristã que vive sob o movimento do Espírito. Se não, vejamos. Onde e junto de quem encontramos nós a paz? Certamente, que não é nos pequenos ou grandes espaços mundanos, nem junto de pessoas gananciosas ou com stress pelo corre-corre da vida. Só dá a paz quem está pacificado consigo próprio, com a natureza e com Deus. E, como atingir a pacificação? Jesus diz-nos que é pelo desprendimento, pela humildade, pelo acolhimento da sua palavra, pela oração, enfim, pela identificação com Ele, assumindo a nossa cruz como parte integrante da sua crucifixão e glorificação.
A palavra de hoje interroga-nos sobre o modo como nos situamos na família, na comunidade e na sociedade, relativamente à construção da paz. Procuro pacificar-me em Jesus Cristo? Construo a paz ou destruo-a, semeando invejas, rivalidades e discórdias, com o meu modo de ser, pensar e agir? Este tempo de férias é propício à procura de lugares, de meios e de pessoas que me ajudem a pacificar.
XIV Domingo Comu: Is 66,10-14c; Sl 66 (65), 1-3a.4-7a.16-20; Gl 6,14-18; Lc 10,1-12.17-20
Deolinda Serralheiro
