“Quero felicitá-lo pelo modo acessível e claro como apresentou o valor do matrimónio, estável e indissolúvel, sem nunca o mencionar, mas com a referência bonita e elegante à família, designadamente à esposa” – afirma, sereno e convicto, um dos elementos da assembleia, dirigindo-se ao presidente da celebração da missa de 7º dia da morte de um seu familiar.
A ocorrência dá-se numa das nossas igrejas paroquiais. A celebração havia sido feita no dia do funeral realizado nos Estados Unidos. Entre a morte e a sepultura, por exigências legais de autópsia e trasladação, decorrera uma semana. Familiares, colegas e vizinhos acorreram a solidarizar-se em público, a orar em igreja, a evocar a memória do amigo comum que os havia deixado, procurando confortar-se mutuamente. Surge, então, o que todos pressentiam: A perda alia-se à esperança e a dor ao reconhecimento agradecido. De facto, o casal havia dado discretamente um testemunho exemplar, que todos apreciavam.
Acometido de várias doenças, sobretudo de deficiência renal, o marido teve de viver um tempo longo de cuidados extremos e de tratamentos frequentes, acompanhados de dores indizíveis. A família e a vizinhança faziam tudo por diminuir a intensidade do sofrimento. Mas foi a esposa que, determinada no seu propósito inicial “ser-te fiel, respeitar-te e honrar-te tanto na prosperidade como na doença”, se manteve, sempre e em tudo, a seu lado, sem queixumes nem impaciências, apesar do martírio que, naturalmente, o peso da vida lhe provocava. Fazia no período da doença o que tantas vezes havia testemunhado no tempo da saúde: somos um do outro, haja o que houver, para sempre!
“Quando assim é e nós pudemos testemunhá-lo todos – declara o presidente da celebração – os ca-sados têm outra segurança, o casamento reveste outra beleza, o amor conjugal revela outro encanto. Os filhos crescem na estabilidade do lar p(m)aterno, acreditam no amor dos pais, mesmo nas turbulências que as fases e as ocorrências da vida lhes provocam, gravam, ainda que discretamente, a imagem do casal que admiram e, talvez, gostariam de vir a construir.
A família surge, então, como a grande realização humana, fruto da capacidade de cada um querer o bem do outro, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Hoje, temos a felicidade de evocar uma destas famílias, símbolo de tantas outras que felizmente povoam as nossas terras, embora não façam alarido nem sejam destacadas pela televisão”.
A numerosa assembleia mostrou a sua concordância, em conversa animada, no adro da igreja, enquanto alguns jovens iam repetindo: De facto, é o exemplo de casais como este que nos mostra o valor do matrimónio e como é bom contar sempre um com o outro. Só assim, podemos ter a certeza de que o amor é mais forte do que tudo, pois é no sofrimento que mais precisamos uns dos outros e, também, nos podemos ajudar mais.
