
Sociólogo, Consultor Social
Nos anos sessenta do século passado considerava-se que uma taxa de desemprego superior a 3 por cento era preocupante; o desemprego deixava de ser meramente friccional, isto é, resultante do normal funcionamento do mercado. A partir dos anos setenta, a «fasquia» subiu para 5 por cento, e depois foi crescendo até hoje. Agora verifica-se que será muito difícil fixar-se abaixo dos 10 ou mesmo 15 por cento. Há mais de vinte anos, o Prof. Ernâni Lopes afirmava que a utilização plena da capacidade produtiva existente no mundo conseguiria manter o mesmo nível de produção com uma taxa de desemprego superior a 50 por cento; esta afirmação foi proferida numa Semana Nacional de Pastoral, em Fátima. E, muito embora possamos fazer um certo desconto, ponderando a força de expressão utilizada por Ernâni Lopes, não podemos ignorar o grave risco em presença.
Ora, apesar de tamanhas dificuldades, nunca se desenvolveu a ciência do emprego, ou do trabalho-emprego, que teria como objeto: a caracterização dos problemas de emprego, em todas as suas dimensões; a análise das suas causas e soluções; a experimentação de hipóteses de solução; a teorização e a proposta de estratégias para o futuro… Em vez da empregologia, inexistente, vem-se recorrendo à economia e a outras ciências sociais para o estudo do trabalho-emprego; assim, ele acaba por ser tratado lateralmente e de maneira fraccionada. A própria Organização Internacional do Trabalho – que, desde o seu início, em 1919, vem atribuindo a esta questão a mais alta prioridade – também não entrou no seu âmago.
É indispensável termos presente que o trabalho-emprego não é redutível à dimensão económica, nem à social, nem a qualquer outra, embora todas se relacionem com ele. Talvez se possa vir a definir a empregologia, nestes termos: ciência positiva e filosófica que tem como objeto a ação pessoal, familiar e coletiva a favor da subsistência condigna e sustentável, tendendo para o desenvolvimento humano integral.
