Estudar Teologia não é um luxo, é uma necessidade urgente

No 18º aniversário da escola de teologia da Diocese, o Bispo Emérito realçou a importância do estudo na sociedade exigente e de mudança

“A cultura teológica não é um luxo, nem um propósito de alguns cristãos sonhadores. É uma necessidade urgente”, afirmou D. António Marcelino, na sessão do 18º aniversário do Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro, comemorado no sábado, 30 de Junho. Encontrando-se D. António Francisco fora do país, o Bispo emérito de Aveiro presidiu à sessão de “entrada na maioridade”, como referiu, da escola da diocese.

D. António Marcelino afirmou que o ISCRA foi criado para “capacitar os cristãos adultos para a sua missão na Igreja e na sociedade” e que essa missão “nem de longe” está cumprida. E apontou factores que exigem a actualização permanente: a sociedade “num processo marcado por mudanças aceleradas e profundas que dão origem a uma nova cultura”; as pessoas concretas, que “vão mudando a sua fisionomia interior e o seu mundo de interesses”; a própria actividade pastoral e apostólica, que “exige uma contínua actualização, que passa por uma qualidade comprovada”.

“As novas tecnologias da comunicação põem-nos o mundo à porta e invadem mesmo a privacidade das nossas vidas e das nossas casas. A globalização não é mais uma palavra esquisita e pouco vulgar, mas uma realidade de que se usufrui, mesmo antes de se entender”, afirmou D. António Marcelino, reforçando a necessidade de “criar meios para responder às novas exigências das pessoas”.

Contudo, há quem ainda não tenha entendido a necessidade de formação e fique “acomodado às exigências mínimas da fé”, fechado “na redoma das suas satisfações” ou se contente em “manter serviços e tradições vazias”, pelo que o papel do ISCRA, no entender do fundador da escola, em 1989, além de consistir em proporcionar a formação, passa por “conquistar os cristãos para a necessidade e urgência da sua qualificação evangélica e formação teológica alargada”. “Isto deverá fazê-lo – disse D. António Marcelino – com novas propostas de formação, com uma proximidade motivadora das pessoas e das comunidades, com a conquista dos agentes pastorais responsáveis”.

Formação, porquê?

“O mundo novo que o Evangelho propõe e deseja, só se pode edificar com pessoas novas, preparadas para discernirem e se emprenharem no que é essencial, capazes de dar razão da sua esperança, aptas para ler os sinais dos tempos, determinadas para trabalhar em equipa e gerar a comunhão, positivas ante o evoluir da sociedade e as nossa aquisições da técnica, dispostas a colaborar lealmente com todos e a todos pedir colaboração nas causa do bem e da justiça, mesmo que não façam parte da Igreja e apenas toquem Deus e os seus projectos, por via da boa vontade e da honestidade natural”. D. António Marcelino

Diplomados

Na sessão, que decorreu no Seminário de Aveiro, foram entregues 17 diplomas a alunos que terminaram os seus cursos.

2

alunos receberam o diploma do Curso Teológico-Pastoral, outorgado pelo ISCRA.

10

alunos receberam o diploma do Curso Básico de Ciências Religiosas, outorgado pelo ISCRA, que lhes confere habilitação própria para a docência de Educação Moral e Religiosa Católica.

5

alunos receberam o diploma do Plano de Formação Sistemática, outorgado pelo Instituto Internacional de Teologia à Distância, patrocinado pela Pontifícia Universidade de Comillas (Madrid).

3

alunas finalistas receberam o Prémio D. António Marcelino. Distingue quem ao longo do curso se destacou humana e intelectualmente: Mavilde Martins, Prazeres da Conceição e Maria Perpétua.