O relativismo é um problema central para a fé cristã

Deolinda Serralheiro, abriu a sessão do aniversário do ISCRA com uma reflexão sobre o relativismo, “problema central que a fé cristã tem de enfrentar nos nossos dias”, em linha com alguns pronunciamento de Bento XVI.

Segundo a directora do ISCRA, o relativismo é a corrente de pensamento que diz que “é preciso resignar-se com o facto de que as realidades divinas e as que se referem ao sentido da vida humana, pessoal e social, são substancialmente inacessíveis, e que não existe uma via única para nos aproximar-mos delas”. Por outras palavras, não sabemos, nem podemos saber o que é a verdade. Só há caminhos imperfeitos, limitados, relativos, todos eles igualmente válidos, “enquanto vias diversas e complementares, para se aproximar de uma mesma realidade, que, substancialmente, permanece oculta”. Onde antes havia erro e verdade, porque o objectivo era a verdade, há agora resignação, porque tudo é relativo.

Naturalmente, o relativismo põe em causa a pretensão cristã, ainda que não exaustiva, de comunicar a verdade sobre Deus, o Homem e o sentido da vida. Quem pensa segundo esta corrente considera o cristianismo como mero “conjunto de ritos úteis para a vida social e política”, “um princípio inspirador de bons sentimentos privados, “ou uma agência ética de cooperação internacional”. Mais: o relativismo apresenta-se como factor de democracia e convivência.

“Esta filosofia não parece dar-se conta de que torna possível a burla e o abuso (…). Na sociedade actual, aqueles que promovem os seus próprios interesses económicos e ideológicos, de poder político, etc., fazem-no à custa dos outros, mediante o manejo hábil e sem escrúpulos da opinião pública e dos demais recursos do poder”, afirmou. Deolinda Serralheiro anotou, de seguida, alguns sucedâneos do relativismo: liberdade de abortar, liberdade de ignorar, liber-dade de não saber falar senão com palavras baixas, liberdade de não se dever dar razão das próprias convicções, liberdade de incomodar…

“Tudo isto tem muito a ver, negativamente, com a fé cristã”, afirmou a responsável do ISCRA. A necessidade de superar o relativismo é um convite ao aprofundamento teológico da fé cristã.

“Existe uma inteligência mais alta do que a humana”

“Quem pensa que existe uma verdade e que essa verdade pode ser alcançada com certeza, mesmo que no meio de muitas dificuldades, quem pensa que nem tudo pode ser de outra maneira, isto é, quem pensa que a nossa capacidade de modelar culturalmente o amor, o casamento, a geração, a ordenação da convivência na Escola, no Estado, etc. tem limites que não se podem superar, pensa, em definitivo, que existe uma inteligência mais alta do que a humana. É a inteligência do Criador, que determina o que as coisas são e os limites do nosso poder de transformá-las.”

Deolinda Serralheiro