Vamos começar! Vamos começar um novo ano escolar, um novo ano apostólico. Vamos retomar um ritmo de vida que se abrandou – ou adormeceu! – durante quase três longos meses.
E a minha primeira inquietação surge exactamente aí. Não é demasiadamente longa uma paragem – ou abrandamento – de três meses? É bem certo que se fazem avaliações e programações. Entretanto, isso é só para alguns. A grande massa da população, mesmo tendo apenas umas semanas de férias, entra num clima de alheamento demasiado longo.
Agora até se fazem as “rentrées” políticas, para se dizer que estivemos a meio gás ou em descanso político. E são também as férias da justiça, só interrompidas pelas emergências. Enfim, o País – e a mesma Igreja – vive nove meses no ano; uma quarta parte da vida é para “hibernar”.
Não sei que volta se lhe há-de dar. Mas estou convicto de que é preciso começar a fazer opinião, a gerar outra mentalidade. Sempre ouvi que o melhor descanso é mudar de ocupação, evidentemente que a um ritmo menos tenso. Então, é preciso pensar a orgânica da vida civil – e, acrescento, eclesial – de modo a que se alternem e entrecruzem diversidade de propostas de ocupação, de maneira que todos possam descansar sem adormecer, que todos se possam revitalizar sem nada parar…
Volto ao início destas linhas. Não é pedagógico arrumar por completo, por tão longo tempo, os hábitos de estudar, o contacto com os livros, o treino do intelecto. Muitas vezes, tem-se a sensação – e o esforço e os resultados iniciais o comprovam – de que se vai recomeçar do zero absoluto, tal foi a distância a que ficaram os esforços do ano anterior.
E também no serviço apostólico ressalta a impressão de que Deus este em férias, não por Ele, mas porque o relegámos para a esfera do abandonado. Fica a impressão de que, mesmo quando há compromissos habituais, o Verão nos solta as amarras e navegamos em mar alto, sem bússola nem leme, ao sabor das ondas… Todos os quadros e esquemas de serviço da Paróquias ficam “desactualizados”, até que meados de Setembro façam reaparecer as listas de serviços. Para não falar já da debandada da pequenada, cujos pais considerarão – talvez! – que, nesse tempo, não há necessidade de prática cristã.
Férias, sim, estamos de acordo, coordenadas, com vida matizada de outras coisas. Hibernação não me parece favorável a um desenvolvimento humano harmonioso e integral, nem a uma vida cívica linear e crescente.
