Olho de Lince A perda de uma vida humana, mesmo quando se não tem culpa no acontecimento, provoca sempre perturbação e sofrimento em quem para isso contribui, desde que tenha uma consciência minimamente formada. E, tratando-se de um jovem em início de condução a ser o “causador material” do desastre, redobra esta angústia.
Mas há pessoas que têm a noção clara das coisas, o sentido da justiça, o gosto da verdade, a sensibilidade de não perder a razão mesmo no meio do maior sofrimento, o da perda da mãe.
E assim aconteceu. O filho da “vítima” manifestou desejo de se encontrar com o jovem atropelante, não para o invectivar sobre uma responsabilidade que não teve, mas para o animar, para lhe dar a palavra de quem, embora dorido, reconhece que não houve culpa da parte do jovem.
Não é apenas um gesto bonito. É uma perfeita questão de honra, que não pode deixar de se sublinhar, quando toda a gente procura vítimas para se desculpar.
