Gestão do desemprego

Acácio F. Catarino Sociólogo, Consultor Social
Acácio F. Catarino
Sociólogo, Consultor Social

Sem qualquer rigidez, pode afirmar-se que: A gestão básica do desemprego é realizada pelos desempregados e suas famílias, pelos vizinhos cooperantes, pela população local, sobretudo nos pequenos territórios, pelas organizações de proximidade, pelas empresas de base local, pelos sindicalistas e outros trabalhadores, pelas escolas, pelas autarquias locais…; a gestão intermédia é realizada por associações sindicais e empresariais, por empresas de âmbito regional, pelos estabelecimentos de ensino superior, pelas empresas de trabalho temporário e outras de «recursos humanos»… A gestão nacional é realizada pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, confederações sindicais e empresariais, empresas de âmbito nacional…

A gestão básica tem como centro e agente principal a pessoa desempregada

e as mais próximas; elas vivem o desemprego e atribuem toda a prioridade à procura das respectivas soluções. Na gestão intermédia e na nacional, não existem entidades análogas aos desempregados a nível local. As associações de desempregados não se têm difundido no país, e o IEFP encontra-se limitado por alguns factores tais como: os seus trabalhadores não vivem, em si mesmos, o desemprego; estão assoberbados por tarefas diversas que dificultam a sua proximidade dos desempregados; e o organismo ainda não se habituou a cooperar com as empresas de trabalho temporário e outras de «recursos humanos»; também não conseguiu inserir-se na capilaridade social. Para além de tudo isto, continua a dispor de meios financeiros vultosos para o pagamento de medidas que iludem o desemprego, discriminam os desempregados, entre beneficiários e excluídos, reforçando nestes o peso do seu mal-estar. Existirão perspectivas de solução, com alguma credibilidade? (Continua).