Alegria na saudade!

Querubim Silva Padre. Diretor
Querubim Silva
Padre. Diretor

A diocese de Aveiro espraia-se por uma extensa e larga faixa ribeirinha e por uma ampla meia encosta soalheira. A exposição ao mar e ao sol desenha-lhe uma fisionomia própria de abertura e liberdade, de luz e de calor. Nem as manhãs pardacentas de densos nevoeiros primaveris lhe roubam estas condições “genéticas”, que influenciam o espírito dos seus naturais e daqueles que a adotam como seu rincão natal.

É assim que se torna uma “pátria” acolhedora, de trato fidalgo, contagiante de luminosidade e de esperança. Tem duas vezes o céu: o que a cobre como um apelo azul de elevação espiritual e o que se espelha com o mesmo azul nas suas águas, tornando-se-lhe um leito de serenidade e paz.

Compreende-se que, facilmente, se torne a casa de cada um, o barco e os remos à medida de quem para aqui navega em procura de poiso ou por missão. Foi por isso que dela se apaixonou o Bispo António Francisco. Fez-se nosso; fez-nos seus! Seria impensável que tal não acontecesse a quem veio até nós com os olhos em Deus e com olhos de Deus sobre as gentes que lhe foram confiadas.

Não admira, portanto, esta intensa empatia levada ao clímax quando o dever chama a outros mares! A inequívoca e indisfarçável saudade mútua não é tristeza! É a expressão da mais estreita comunhão de vida, de sonhos e esperanças, de projetos e realizações, experienciada em crescendo ao longo destes sete anos e uns meses.

O nosso louvor a Deus pelo Bispo que nos foi dado, a nossa gratidão pela sua proximidade, pelo seu caloroso ardor apostólico, pela estilo de vida sóbria, pela transparente radicalidade das bem aventuranças, pela ousadia de abrir as portas da nossa Igreja a fim de Jesus Cristo sair ao encontro dos que buscam em todas as periferias, pela sua simplicidade de diálogo com a cultura, com a academia, mas também com o realismo das crueldades sociais…, serão sempre insuficientes.

A alegria do caminho percorrido em comum, a certeza do compromisso mútuo que permanece, estimulam-nos a honrarmos D. António com a coragem de continuar de mãos firmes no leme. E quem sabe se não será esta a oportunidade, a hora de germinar uma palpável comunhão de Igrejas irmãs, que repartam fraternalmente os dons que o Senhor lhes dá, para exemplo da desejável fraternidade entre as Igrejas!…

É uma felicidade ter D. António como cristão connosco e Bispo para nós! Graças a Deus por este dom! Graças a D. António pela sua fidelidade existencial ao Evangelho que nos prega!