“Convosco e a partir daqui é mais fácil partir”

D. António mostra o Bom Pastor em marfim oferecido pela Diocese de Aveiro
D. António mostra o Bom Pastor em marfim oferecido pela Diocese de Aveiro

Diocese despede-se do seu pastor. D. António agradece e conta com amizade, comunhão e oração dos aveirenses.

A Diocese quis agradecer o ministério episcopal de D. António Francisco, quando se aproxima a hora da sua partida, mas as palavras mais saudadas e que certamente ficam na memória de todos foram o agradecimento do próprio bispo eleito do Porto, proferidas no adro da Sé, no final da cerimónia: “Convosco e a partir daqui é mais fácil partir. Sei que me acompanhais com a amizade, comunhão e oração. Posso partir com serenidade e confiança e olhar em frente com coragem e esperança. Obrigado, Aveiro, hoje e para sempre”.

D. António Francisco agradeceu no dia 9 de março de 2014 como sempre agradeceu desde que chegou a Aveiro, no dia 8 de dezembro de 2006. E numa cerimónia que era de gratidão ao bispo e de ação de graças a Deus pelo pastor dado, ainda D. António pediu perdão e bênção. O perdão foi dirigido aos pobres para quem não foi capaz de “multiplicar presença, pão, medicamentos, emprego em número e em tempo necessários”, aos sem-abrigo que escolheu como “família em alguns dias marcantes do ano”, para quem não conseguiu “casa, trabalho e integração social” como sonhou “com eles e para eles”, aos “doentes, idosos e reclusos” porque percorreu “amiudadas vezes os corredores dos hospitais, dos lares e do estabelecimento prisional”, mas não tantas vezes como devia e “sobretudo como eles mereciam”. A bênção foi pedida às crianças, “esperança bela e feliz desta Igreja de Aveiro”, aos jovens, “marca de Deus”, às famílias, “de amor fiel, feliz e fecundo”, aos movimentos apostólicos, “certeza de testemunho de vida cristã enraizada no mundo”, aos agentes de pastoral “em tantas frentes de missão”, às comunidades religiosas e membros de vida consagrada, aos diáconos permanentes, aos seminaristas, aos padres e à Casa Sacerdotal e a “quantos a habitam”. Sobre esta obra, que será o legado físico mais visível de D. António Francisco, disse ele: “Todos sabem que a Casa sacerdotal nasceu no coração deste bispo antes de ser edificada para que seja verdadeiro «santuário de gratidão» aos sacerdotes”.

O adro da Sé, com alguns milhares de pessoas, antes das palavras finais de D. António Francisco, ouviu a saudação de monsenhor João Gaspar e o agradecimento de dois leigos. O vigário geral realçou que a presença de D. António Francisco “deixou profundas marcas entre nós; no futuro, com o decorrer do tempo, o Espírito de Deus fará multiplicar os frutos do seu trabalho pastoral. Uma tal atividade multiforme tornou-se evidente não só na comunidade eclesial que constituímos, mas também nos diversos ambientes da sociedade civil, cultural, académica, política e militar. A diocese não pode esquecer os desafios que este nosso prelado tornou mais presentes: – a paixão pela caridade, a atenção aos marginalizados, o ardor pela missão, o empenho na evangelização e o espírito de oração”. E concluiu: “Estamos-lhe profundamente reconhecidos. Julgo que a minha voz é a voz de todos”.

Fernanda Capitão, dirigente das Conferências Vicentinas, e Manuel Santos, chefe regional do escutismo católico, por seu turno, apontaram motivos para a gratidão da Diocese: D. António Francisco, “fez-nos experimentar a proximidade e bondade de Deus”, “tornou mais sólida a nossa opção por Cristo, pelos pobres, pelos humildes, pelos misericordiosos, pelos puros e bondosos de coração, pelos construtores da paz”, “fez-nos percorrer os caminhos de amor aos irmãos”, “fez soltar as amarras do coração”, “foi cristão connosco e bispo para nós”…

Imagem do Bom Pastor

Como sinais de gratidão, a Diocese de Aveiro ofereceu a D. António Francisco um ramo de flores e uma imagem de Cristo Bom Pastor em marfim indo-português, do séc. XVII. O prelado beijou a imagem e observou pouco depois que a jovem que lhe deu o ramo de flores era a Beatriz, que, criança, o acolhera na celebração de 8 de dezembro de 2006.

Numa celebração afetuosa sem ser sentimentalista, com algumas lágrimas entre os fiéis e palmas agradecidas de todos, a Diocese despediu-se pela primeira vez de um bispo residencial.

“Que esta bela imagem do Bom Pastor que agora me oferecestes me ensine e ajude a ser Pastor segundo o Coração de Cristo, Bom Pastor, me torne digno do vosso carinho que este belo gesto expressa e me faça Pastor dedicado e generoso da Diocese do Porto, para onde agora sou enviado por Deus por mandato do Papa Francisco”, disse D. António.

A tomada de posse na Diocese do Porto está marcada para 5 de abril, perante o Colégio de Consultores, no Paço Episcopal, numa cerimónia privada. Do dia 6, pelas 16h, na Sé, será a entrada solene. Antes disso, no dia 19 de março às 21h00, vai decorrer na Universidade de Aveiro uma segunda sessão de agradecimento, com a apresentação do livro ‘Diocese de Aveiro – Subsídios para a sua história’, da autoria de monsenhor João Gaspar.

Texto Jorge Pires Ferreira

Foto: Foto Villas – Anadia