Grandes incêndios no distrito de Aveiro em 2005

De 1 de Janeiro a 28 de Agosto de 2005, ocorreram no distrito de Aveiro 321 incêndios florestais, segundo dados da Direcção Geral dos Recursos Florestais. Desses, 13 foram grandes incêndios, isto é, tiveram uma dimensão superior a 100 hectares (ver mapa). Houve ainda 3.291 fogachos (quando a área destruída não chega a 1 hectare). No total, os incêndios consumiram 19.018 ha de florestas e matos.

Quanto ao país, ainda sem contabilizar o grande incêndio de Coimbra, os dados confirmados referem que houve, até essa data, 28.670 in-cêndios e arderam 166.339 ha. Algumas fontes apontam para um total de 250 mil hectares destruídos pelos fogos até aos primeiros dias de Setembro, o que faz de 2005 o pior ano de incêndios florestais a seguir ao “trágico 2003”.

Num texto sobre os incêndios, o Diário de Notícias de 1 de Setembro reuniu em duas páginas as suas, as iniciativas do Governo e o que ainda está por fazer. O CV resume aqui esse excelente artigo.

Por que é que Portugal arde?

1. Negligência: queimadas em épocas desadequadas, sardinhadas e churrascadas, foguetes… 2. Fogo posto: Um em cada cinco incêndios tem origem criminosa. No entanto, é muito difícil de provar. Este ano já foram detidas 137 pessoas (11 menores). O perfil do incendiário: homem, baixa escolaridade, residente na localidade onde ateou fogo; e excluído socialmente. 3. Seca severa ou extrema da totalidade do país. 4. Desordenamento: floresta abandonada, ausência de corta-fogos, propriedade espartilhada por milhares de pequenos proprietários. 5. Meios de prevenção, vigilância a combate insuficientes, por vezes descoordenados e mal distribuídos pelo país (concentrados no litoral). 6. Falta de limpeza. 7. Desertificação social: o abandono do interior deixa o terreno livre para o fogo.

As iniciativas do Governo

1. Incentivos ao associativismo. O governo anunciou as zonas de intervenção florestal, para que os proprietários e produtores façam uma gestão conjunta da floresta. 2. Alterações judiciais que tornem a justiça mais célere e actuante (ainda em esboço). 3. Frota própria de meios aéreos, que o governo prevê comprar. 4. Apoios de 3 milhões de euros aos agricultores. 5. Apoio financeiro para recuperação das áreas ardidas, com “base em garantias de aplicação numa gestão activa e eficaz”.

O que falta fazer

1. Reforma profunda da floresta: cadastro florestal e possível expropriação de terrenos a quem não tem capacidade de os gerir. 2. Incentivos fiscais para boas práticas. 3. Ordenamento da mancha florestal: contrariar as grandes manchas florestais com áreas descontínuas que funcionem como barreira ao fogo. 4. Profissionalização dos bombeiros e renovação nas técnicas de combate. 5. Coragem política e sensibilização: empenho de todos, a começar pelo Governo, contra bloqueios, reivindicações e lamentos.