1. A partir do final de Janeiro, foi anunciada a expectativa de grandes investimentos no nosso país. Investimentos provenientes de grandes empresas e de grupos económicos internacionais.
O anúncio em presença é claramente animador, e permite esperar novos desenvolvimentos da economia portuguesa, com reflexos, maiores ou menores, em toda a sociedade. Aguarda-se, naturalmente, que seja estimulado o crescimento, que surjam novas empresas no tecido económico português, que sejam criados novos empregos directos e indirectos, que uns e outros sejam mais qualificados e dêem oportunidades mais gratificantes a inúmeros jovens e outros trabalhadores.
2. A par das vantagens previsíveis, os grandes investimentos também trazem consigo alguns inconvenientes bastante sérios. Entre eles, sobressai a dependência em relação ao capital internacional; as vozes mais críticas vão até ao ponto de afirmar que o país fica refém do capitalismo internacional e que deixa atrofiar as suas capacidade de desenvolvimento endógeno.
Para que o país atraia grandes investimentos são concedidas facilidades e benefícios vários aos seus promotores. Disponibilização de terrenos, facilitação de burocracias, concessão de isenções fiscais e de subsídios diversos figuram entre as vantagens de que empresários e grandes grupos económicos têm beneficiado e continuarão, certamen-te, a beneficiar. As vantagens chegam a ser de tal monta que até se pode falar de “enriquecimento sem causa”.
No momento actual, marcado pela globalização e competitividade internacional, os países competem entre si na concessão dessas vanta-gens. Em princípio, consegue atrair mais investimento o país que mais concede.
Costuma dizer-se, a propósito, que “os capitais não têm pátria”; e pode acrescentar-se que eles configurarão, cada vez mais, as pátrias, se estas não souberem lidar com eles. Os Estados correm o grave risco de ficar, acentuadamente, na dependência deste recurso que, aliás, se deslocaliza soberanamente, de uns países para outros, de acordo com as suas conveniências. Assim, ganham peso e poder crescentes as empresas e os investimentos transferíveis, que não se inserem adequadamente nos processos de desenvolvimento dos países onde se vão instalando.
3. Poderá atenuar-se o grau de dependência dos Estados face ao capitalismo internacional? – Talvez, sim, por duas vias: a promoção da interdependência e o respeito de valores éticos.
Abordaremos estas orientações em próximo artigo.
