“Há mais duas dezenas de paróquias que podem ter escutismo”

Manuel Santos, 56 anos, chefe regional desde 2005, é escuteiro desde os 14 e dirigente desde os 30 anos.
Manuel Santos, 56 anos, chefe regional desde 2005, é escuteiro desde os 14 e dirigente desde os 30 anos.

Com a tomada de posse do órgão que lidera o escutismo na região de Aveiro, no próximo sábado, chegam ao fim nove anos de liderança de Manuel Santos, motivo para um breve balanço sobre a sua ação num movimento que congrega mais de três mil crianças e jovens na Diocese de Aveiro.

 

Correio do Vouga – O que lhe vem à mente como aspetos mais positivos destes nove anos à frente do escutismo católico na Diocese de Aveiro?
Manuel Santos – Foi um caminho que equipas ao longo de 60 anos de Junta Regional nos legaram e que tivemos a honra de prosseguir. Com muito daquilo que aprendemos e vivenciamos, quisemos dar do nosso melhor à nossa região. Hoje é mais fácil, existe mais e melhor comunicação. Assim conseguimos uma maior sintonia de valores e de métodos. Esta sintonia de ação com a maioria dos nossos agrupamentos permitiu uma dinâmica na autenticidade dos nossos ideais assumidos na lei e nos princípios, que permitiu a todos os escuteiros serem mais felizes. Esta felicidade autêntica só por si já é importante, mas a mesma contagia e traz mais gente para o Escutismo e para a Igreja e isto traduziu-se nos últimos anos na abertura de novos agrupamentos (mais seis, dois em formação) e um aumento considerável de escuteiros (+10%) na nossa diocese.

 

Teve como lema do primeiro mandado as palavras de Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, e terminou o último apelando às virtudes do sal…
O primeiro lema procurou logo de início um caminho na comunhão. Acreditamos na Igreja em Comunhão. É mera utopia pensarmos em nova evangelização sem percebermos e vivermos a Comunhão entre todos aqueles que se abrigam em Jesus. A Igreja sem comunhão é um cântaro roto a dar água fresca. Sempre procuramos trabalhar para o encontro entre todos: Pastoral Juvenil, onde nos sentimos assumidos e integrados; com os nossos catequistas, onde sempre procuramos encontro e com todos os outros movimentos, não só em Igreja, mas em toda a dimensão comunitária. Se este foi um caminho deliberadamente escolhido, a nossa Missão Jubilar como que veio cimentar e reforçar todos estes nossos propósitos. Momento grande da nossa Diocese, em que o CNE saiu muito mais rico, apenas e só porque se deu, porque se entregou, porque quis ser mais Igreja com todos. Foi também um dos anos belos deste nosso mandato. Esperamos que esta semente de paz, dedicação, comunhão e missão continue a dar frutos na Igreja de Aveiro. Não podemos correr riscos de perder aquilo que de tão belo Deus por intermédio da Sua Igreja plantou nesta sua Diocese.
Assumimos o “Escutismo com Sal”, isto é, um Escutismo que se mexa, que faça a diferença, que não se gaste em cargos vazios de ação e em reuniões de mero calendário. Um escutismo ativo numa vivência desafiadora com os agrupamentos e as comunidades. E isto traduziu-se num maior respeito e sentido de partilha da nossa Igreja e de toda a sociedade. Por isso mesmo, sentimos disponibilidade das nossas autarquias no apoio à vida regional e à vida dos agrupamentos. Exemplos extraordinários foram o apoio do Município de Vagos ao Acampamento Regional de 2009 e o apoio, a amizade e o carinho do Município da Murtosa aos escuteiros desta Região no último ACAREG, na Torreira, realizado em agosto último.
Esta dinâmica, este “Sal” que nos tempera levou o nosso Chefe Norberto a Chefe Nacional e isto também significa que Aveiro de facto faz Caminho, na Verdade, e leva Vida.

 

Houve algo que gostaria de ter feito ou liderar e não fez? Algum aspeto em que gostaria de ter avançado mais?
Como já referi, a Missão Jubilar mostrou a alguns sacerdotes da nossa diocese, sobretudo àqueles menos informados sobre o escutismo, a dinâmica evangelizadora do CNE. Estamos praticamente implantados em metade das 101 nossas paróquias, mas existem pelo menos mais duas dezenas delas que têm condições para receber o CNE, outras pelo número reduzido de crianças e jovens, para já não têm essa disponibilidade. Como sempre referi, quero que os primeiros passos dados pelo nosso movimento comecem sempre com o pároco dessa comunidade. Não aceitamos escutismo sem o sacerdote integrado. Não conseguimos espaços de melhor e maior sensibilização do nosso movimento junto do nosso clero. Tentámos, trabalhámos muito para que tal acontecesse, mas fruto de varias contingências não conseguimos. Se calhar tivemos culpa, devíamos ser mais afoitos, mas o nosso sentido de respeito e delicadeza por vezes não nos permite ultrapassar alguns dos limites que estabelecemos. Mas o nosso dever é continuar a trabalhar para que mais e melhor escutismo chegue a um maior número de crianças e jovens. Não concebo, nem aceito que esta felicidade de ser jovem escuteiro em Igreja não dê oportunidade a todas as crianças da nossa diocese.

 

Agora que deixa a Junta Regional, deixa o escutismo?
Continuarei, enquanto Deus me permitir e eu julgar que tenho faculdades para tal, a ser dirigente do CNE. E isto quer dizer: “Sempre Alerta para Servir”. Quero ajudar o novo Chefe Regional em tudo o que ele entender ser útil a minha colaboração. Para já, pediu-me o apoio na finalização da construção da nova Sede Regional e aos novos agrupamentos em formação, o que farei sempre com muito gosto e com o entusiasmo que a minha promessa me confiou. Também como Formador do CNE continuarei a colaborar com a Secretaria dos Adultos e o seu Departamento Regional da Formação, agora com maior disponibilidade.

 

Neste momento, quer deixar
Foi para mim e com toda a certeza para todos aqueles que me acompanharam, uma enorme felicidade ter servido a nossa região, a nossa Igreja de Aveiro, nesta tão nobre Missão para a qual fomos eleitos. Bebemos da mesma água de muitas pessoas que marcaram nossas vidas, algumas que partiram para o Pai no tempo destes mandatos: o Padre Manuel Fonte (foi Assistente nacional do CNE e trabalhou no seu inicio de sacerdote na nossa Diocese) o Tchil (Padre Miguel Cruz), o Padre Valdemar, o Chefe Armando Coutinho. Tantos outros, bispos, sacerdotes e tanta gente humilde e santa que nos confiaram um legado tão belo e promissor para o qual não podíamos. Não podemos falhar. Acolhemos e recebemos muito, quisemos partilhar ao máximo muito daquilo que nos deram e confiaram. Ousámos ter este propósito de São Paulo no final da sua Missão: “Combati o bom combate…” Trabalhámos, vivemos neste propósito, mas ainda temos tanto para fazer nesta Igreja que muito espera de todos.

 

 

Nova Junta Regional toma posse

A nova Junta Regional do Corpo Nacional de Escutas (CNE) e o Conselho Fiscal e Jurisdicional tomam posse no dia 4 de novembro, às 21h, no Centro Paroquial da Glória.

Nas eleições realizadas no dia 19 de outubro, a lista para a Junta Regional, liderada por José Carlos Esmerado dos Santos obteve 315 votos “sim”, num universo de 642 eleitores. Houve 12 votos “não”, 8 brancos e 1 nulo. A taxa de votação foi de 52,3 por cento (336 votantes).
A lista encabeçada por Rogério Magalhães Matias, para o Conselho Fiscal e Jurisdicional, com o mesmo universo de eleitores, obteve 315 votos “sim”, 10 “não” e 6 brancos. A taxa de votação para este órgão foi de 51,6 por cento (331 votantes).