Igreja de Fermentelos reabre após dois anos de obras

Depois de dois anos de obras, a Igreja de S.to André de Fermentelos está como nova. No dia 19 de Outubro vai reabrir em festa, numa Eucaristia solene presidida pelo Bispo de Aveiro, às 16 horas. Com a igreja renovada, abre nas salas anexas um museu paroquial de arte sacra.

A Igreja de Fermentelos é um edifício dos princípios do séc. XX, mas com altares em talha dourada muito anteriores. Os laterais são do séc. XVI, enquanto o central será do séc. XVIII. Mas ninguém sabe de onde vieram. Sabe-se, como conta o P.e Costa Leite, párocoos, que chegaram a Fermentelos através do Dr. António Roque Ferreira, no princípio do séc. XX. Quanto à origem, talvez tenham sido retirados de algum convento ou igreja lisboeta, no período da instauração da República.

No presente restauro, o templo sofreu obras que ascendem ao montante de 600 mil euros. No telhado, as traves de madeira que o sustentavam foram substituídas por vigas de cimento. O tecto é agora de madeira (era de estuque). O chão deixou o taco para ser de madeira e pedra. Tanto o tecto como o chão têm isolamento térmico, prometendo uma igreja mais confortável. As paredes exteriores e interiores foram renovadas. Os altares (três junto ao altar da Eucaristia e um à entrada da igreja, do lado esquerdo) recuperaram as cores originais, após uma rigorosa remoção da purpurina que lhes dava um tom acastanhado escondendo por baixo o dourado. O altar onde se celebra a Eucaristia avançou uns metros, aproximando-se do povo. A largura das capelas laterais mais que duplicou. Antes mediam apenas três metros e meio.

Estas duas últimas alterações vão beneficiar as celebrações litúrgicas. “Quando celebrava, parecia que estávamos num comboio”, afirma o pároco. Agora a sensação de estreiteza desapareceu, porque os braços da cruz que a planta da Igreja forma estão mais abertos.

“Generosidade apreciável”

Para fazer face aos custos das obras, a paróquia de Fermentelos contou com a ajuda de algumas entidades e principalmente com a generosidade do povo. “É apreciável a forma como as pessoas têm colaborado e se têm organizado em grupos para angariação de fundos”, afir-ma o pároco. Aos sábados há vendas (bolos, fogaças, doces…) que rendem 200 a 300 euros por semana. A “feirinha-festa paroquial” de Setembro rendeu cerca de 17 mil euros. Algumas pessoas quotizaram-se e dão todos os meses uma determinada quantia. E também já houve quem emprestasse dinheiro, sem juros nem prazo de devolução. P.e Costa Leite reconhece que “alguns ricos têm dado”, mas há ainda mais “generosidade dos pobres”. “Os pobres são os que dão pouco, mas dão sempre”, remata.

Algumas entidades têm igualmente colaborado. A Diocese de Aveiro deu 2 500 euros. A Junta de Freguesia tem dado um subsídio anual – e justifica-o perante a contestação de um popular com o facto de a igreja fazer parte do “património cultural da terra”. A Câmara Municipal de Águeda isentou o restauro de taxas e fez os arranjos exteriores.

As obras foram realizadas pela empresa Savecol e, nos que diz respeito às talhas e às imagens, pelas conservadoras-restauradoras Emília Pereira e Teresa Veiga.

Comunidade cresceu com as obras

Enquanto as obras decorreram, as celebrações realizaram-se no salão paroquial. Apesar do incómodo que tal opção sempre implica, P.e Costa Leite considera que foi “muito positivo”. “Fui dizendo às pessoas que as obras da igreja têm de nos ajudar e não nos podem dividir. Por andarmos em obras, podíamos pensar que baixavam as exigências quando se trata de baptizar as crianças, por exemplo. Penso que todos compreenderam”, refere. Por outro lado, acrescenta que as celebrações no centro paroquial “ajudaram a criar um relacionamento mais próximo”. Como as pessoas entravam e saíam pela mesma porta, o pároco pôde acolhê-las e saudá-las no final das celebrações. “Creio que hoje somos mais igreja – comunhão e responsabilização – do que antes. Ajudou-nos a crescer”, afirma.

Museu mostra tesouros da paróquia

O museu paroquial de Fermentelos, em duas salas contíguas à sacristia, vai conter imagens, paramentos, castiçais, alfaias litúrgicas, uma pintura, um retábulo em talha dourada e o relógio antigo da torre, entre outras peças.

Merece destaque uma imagem de N.ª Sr.ª, em pedra de Ançã (falta-lhe o Menino). É a peça mais antiga. Seguramente anterior ao séc. XV. A imagem que se pensa ser de São Bartolomeu também é importante. Por último, a tela ainda por limpar de Santa Teresa de Ávila. Depois de removida a espessa camada de sujidade, poderemos apreciar uma notável pintura barroca.