Inéditos na cidade, mais que velhos na província

Uma pedrada por semana De vez enquanto somos surpreendidos com a notícia de “gestos inéditos” que, se o são num local, afinal são noutros mais que velho e passados. Acontece assim, tanto no mundo da política como no da religião, quando a informação alargada toca apenas a alguns sectores, considerados mais importantes e que dispõem de pessoas e de meios que sabem fazer a sua publicidade.

Na Igreja em Portugal, do norte ao sul, há coisas lindas e pastoralmente válidas, que são fruto de muita generosidade e esforço, mas que delas nunca se fala. Televisão, rádio e grande imprensa, no seu dia a dia, não vão muito além de Lisboa, Porto e Braga. Fora do círculo privilegiado, só em coisas muito especiais, ou quando se recorre à SIC ou à TVI para ampliar coisas de somenos, que, normalmente, o não são tanto para alguns ressentidos ou menos atendidos que ameaçaram com a televisão, sempre disponível para fazer escândalos de casos pouco menos que banais, e dão seguimento à ameaça.

Falta qualquer coisa, mesmo na Igreja, de há muito se vem dizendo, que dê igual valor e sentido ao que se passa entre os pequenos e os grandes, se é que vale a pena disso fazer notícia.

Dois programas, “70X 7” e a “Ecclesia”, têm levado ao país, com mérito, os pequenos e os menos grandes, do continente às ilhas. Mas é lá de vez em quando, porque os tempos e os espaços normais estão cativos.

A visão geral aparece e permanece falseada e os inéditos, velhos e usados, vão-se apregoando.

António Marcelino