Inovação em Aveiro. Camões ou Cervantes?

Ponta de Lança A expressão até parece banal, banalíssima! Porém, foi com este “mimo” que a briosa claque da Académica de Coimbra brindou, no Estádio Municipal de Aveiro, a ousadia das gentes de Aveiro, no recente jogo do Beira-Mar com a Académica; quando ainda estava tudo a zero!

Aparentemente é algo que orgulha o empreendorismo aveirense. Contudo, há um pormenor a acrescentar, a segunda tarja: “vender o clube ao capital espanhol”!

Ouviram-se apupos, assobios, mas pouco convictos. E, se no momento, ali mesmo, sob os olhares circunspectos dos principais responsáveis, foram mais os que coraram (de vergonha?) do que os que apuparam o vitupério conimbricense, no final, os de Aveiro sentiam-se vergados ao inusitado: o clima do planeta está mesmo mal, até o Mondego já inunda a Ria!

Procuraram-se razões para aquele triste fim; tentou-se descodificar “o caminho da manutenção” – uma miragem? Mais uma epopeia sem regresso? Uma curta viagem à terra do nada? Vislumbraram-se aqui e ali alguns espectadores a perguntar por trajectos secundários, a fim de, para o ano, poderem acompanhar o Beira-Mar: Penafiel, Olhão, Trofa… Gente precavida!

Na verdade, atribui-se a Luís de Camões o gesto profético, quando, perto da sua morte (1580), pelas circunstâncias do Reino, antevia a queda da dinastia de Avis com graves prejuízos para Portugal. Em 1581, chegaram os castelhanos.

No caso dos “reinos” do Beira-Mar (no plural, porque há para ali muito Coroado; muitos territórios pouco definidos; algumas coutadas; muitas benesses!?), o mês de Dezembro acompanhou o inaudito triunfo da “armada espanhola” pela Ria adentro! A 23 de Abril, dia do falecimento (1616) do consagrado poeta, romancista e dramaturgo, Miguel de Cervantes, que chegou a ser comissário de provisões da Invencível Armada (do nosso descontentamento), assistimos ao princípio do fim desta aventura espanhola em terras de Aveiro? Entre Camões e Cervantes haverá muito mais para além do conhecido?

Se a claque de Coimbra tem razão… lá se foi a inovação!

Desportivamente… pelo desporto!