Lições de acolhimento

À Luz da Palavra – X Domingo Comum – Ano C Terminado o tempo pascal, voltamos ao tempo comum. O tema deste Domingo anda à volta do poder e da bondade de Deus, que é capaz de se compadecer dos que choram e de ressuscitar os mortos, preanunciando, assim, a própria ressurreição de Jesus, seu Filho querido.

No evangelho, Lucas apresenta-nos um episódio comovente, cheio da ternura e da bondade de Jesus para com uma mulher viúva, a quem tinha morrido o seu filho único, que ia a sepultar. Movido de compaixão, Jesus pede-lhe que não chore e, tocando no caixão, ordena ao jovem que se levante. E, depois de o ressuscitar, entrega-o a sua mãe. Ao agir deste modo, Jesus revela que é o senhor da vida e da morte e que veio viver no meio de nós para nos libertar dos nossos limites e opressões. Anuncia, também, a sua própria ressurreição, fonte de vida para todos os que nele acreditam. É firme e audaz a minha fé em Jesus Cristo? Creio que Ele tem todo o poder sobre o mal e que é o Senhor da vida? Diante dos meus limites, confio no seu poder?

A primeira leitura, em estreita relação com o evangelho, narra-nos a ressurreição de uma criança, filha da viúva de Sarepta, que costumava hospedar o profeta Elias. Diante de tal prodígio, a mulher reconhece o poder de Deus que, através do profeta, restitui a vida ao seu filho, e dá testemunho da sua fé na palavra de Deus, anunciada por Elias. Ao acolher o profeta em sua casa, a viúva de Sarepta, acolhe o próprio Deus, segundo a palavra de Jesus: “Quem acolhe os meus enviados, a mim me acolhe”. E recebeu a recompensa deste acolhimento. Reconheço eu a presença do Senhor nos meus irmãos e acolho-os com bondade e ternura, ou sou fechado e egoísta? Estou, habitualmente, aberto à palavra de Deus, que me vem através dos profetas de hoje?

A segunda leitura fala-nos no acolhimento do Evangelho, que Jesus confiou a Paulo, para que dele se fizesse arauto e testemunha. Não foi tarefa fácil, porque o Apóstolo tem dificuldade em se fazer aceitar por parte dos cristãos vindos do Judaísmo, devido aos seus antecedentes, em que ele próprio perseguia os cristãos. Estes mostravam-se receosos e desconfiados. Por isso, Paulo explica que o Evangelho que prega lhe foi revelado directamente por Jesus Cristo, para que ele o levasse depois aos pagãos. Este texto faz-nos pensar nas pessoas preconceituosas, que se tornam incapazes de esquecer as fraquezas passadas dos seus semelhantes. Sem abertura para aceitar a novidade da fé, tornam-se intolerantes e desprezam a graça de Deus actuando nos corações dos que se vão convertendo. Que tipo de pessoa sou eu? Deploro, constantemente, as faltas dos outros, ou sou capaz de olhar para as minhas próprias e tornar-me indulgente face aos outros? Aceito, tanto o meu crescimento, como o crescimento dos outros?

X Domingo Comum: 1 Re 17,17-24; Sl 30 (29); Gal 1,11-19; Lc 7,11-17

Deolinda Serralheiro