Litoral aveirense é dos mais vulneráveis do país

Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos
Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos

A costa portuguesa está em risco. A de Aveiro, ainda mais. Governante garante que as obras do Furadouro e da Barra vão avançar.

 

Na recente visita que efetuou à Gafanha da Encarnação, o secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, reconheceu que o litoral aveirense “é uma das zonas costeiras mais vulneráveis de Portugal”. O governante realçou que um dos grandes desafios que o governo tem para o ano em curso, e para 2015, é a defesa do litoral e garantiu que as obras de proteção das praias da Barra e do Furadouro estão “prestes a ser adjudicadas”.
Para minimizar os danos causados pelo último inverno, Paulo Lemos afirmou que as obras que estão previstas vão ser executadas. “Não vamos hesitar sobre o que é preciso fazer, sobretudo no que concerne à proteção de pessoas e bens”, disse.
Apesar disso, o governante esclareceu que o governo criou uma equipa técnica para “avaliar o que foi feito até agora, o que foi bem feito, o que foi mal feito, e quais são as perspetivas de futuro, qual o modelo de governança local”, modelo em que as autarquias deverão desempenhar um papel mais interventivo.
Essa equipa, constituída por cientistas de diversas universidades, incluindo a de Aveiro, deverá entregar, até ao final do ano, um relatório que será fundamental para o governo avançar com a segunda geração dos POOC (Planos de Ordenamentos da Orla Costeira), e apontar estratégias para as intervenções prioritárias, definindo os critérios de identificação das zonas de risco e os critérios para impedir a construção em determinadas zonas do litoral.
Paulo Lemos reconheceu que as situações verificadas no passado inverno vão repetir-se no futuro, e que elas não resultam exclusivamente da pressão imobiliária no litoral, e que se agravaram com outros fatores, entre os quais os resultantes das alterações climáticas, com a agravante de que Portugal, sendo um país do Sul da Europa, “está muito exposto a este fenómeno”. “Temos 67% da costa em risco de perder território, temos 25% do território da costa em risco de erosão, pelo que estamos numa situação muito vulnerável”, afirmou.
Cardoso Ferreira