
Atualmente, as redes sociais digitais concentram num só espaço aquilo que dantes se dispersava por vários: falar, ler, ver, ouvir, tudo pode ser feito na mesma rede social, com muitos amigos em simultâneo. Para convidar amigos para um “evento”, posso usar uma rede social digital; para divulgar a minha música preferida, posso usar a internet; para difundir as minhas atividades ou ações de voluntariado, posso servir-me da internet. Posso, ainda, usar a internet para denegrir um colega da escola, para destruir o trabalho de alguém, para pôr um ponto final a uma relação de amizade ou de amor. Foi sobre estes aspetos que, no dia 28 de março, dezenas de alunos do 8.º e do 9.º do projeto Espiral, alguns colegas das suas turmas e outros do 10.º ano e respetivos professores da Escola Secundária Dr. Mário Sacramento, ouviram Tito de Morais, o fundador do site MiudosSegurosNaNet.
O controlo da minha
imagem depende de mim?
Hoje, a noção de privado parece ter desaparecido, já que aquilo que se regista no telemóvel ou no computador rapidamente pode ser acedido por outrem. Nem sempre o controlo da imagem depende do seu autor, pois, mesmo que o autor das fotografias ou dos escritos, sejam sms ou emails, não os divulgue, se eles caírem nas mãos de alguém sem escrúpulos, rapidamente essas fotografias ou esses textos são difundidos pela internet. E, uma vez na internet, não mais se conseguirá ter domínio sobre eles. Deixam de pertencer a quem os colocou lá pela primeira vez; podem ser facilmente replicados e vistos por milhares de pessoas.
O especialista da segurança na internet considerou que há “audiências invisíveis” com pessoas que podem seguir a vida de estranhos, sem o seu conhecimento. Basta que o seu “amigo” envie a um outro “amigo” uma fotografia do primeiro, ou deixe o seu computador acessível, para que outros leiam, vejam ou oiçam aquilo que se pensa que se diz em privado. Alertou, ainda, para aquilo a que chamou de “contexto colapsado”: quem lê ou vê determinado registo na internet, não está a par do contexto, das circunstâncias em que tais acontecimentos tiveram lugar. Não é possível contextualizar, ou seja, perceber quando e porquê. Sugeriu, por exemplo, que a resolução de problemas pessoais ou profissionais, não seja feita por sms ou por email, pois o uso errado de uma vírgula pode originar vários mal-entendidos e mesmo estragar uma relação.
Se não se quiser que outros se apropriem das suas imagens, o primeiro passo é não tirar fotografias. Esta sugestão será, talvez, a mais difícil de concretizar por adolescentes e adultos atualmente. Todavia, outros conselhos dados por Tito de Morais serão mais fáceis de realizar: usar as redes sociais para promover ações de solidariedade, como fez uma menina de nove anos, ao promover uma recolha de fundos que permitiu a construção de uma escola no Botswana, ou como aquele jovem que divulgou uma ação de solidariedade para com os sem-abrigo; ou para gerar discussão acerca de um tema, como sucedeu com uma aluna brasileira, cujo diário publicado numa rede social originou um debate sobre a educação no Brasil.
Com vídeos de campanhas de prevenção, Tito de Morais ilustrou vários alertas que lançou ao público da Secundária Dr. Mário Sacramento, lembrando que há aplicativos que permitem ver se o seu nome é replicado na internet, além de outras formas de segurança, quando se quer publicar conteúdos privados no espaço digital. Alertou também para os predadores sexuais que, disfarçadamente, conduzem as conversas privadas com adolescentes, até ao momento em que a chantagem entra numa espiral difícil de controlar. Aí, o pai, a mãe, o professor, o polícia são as pessoas indicadas para ajudar a prender o criminoso.
Esta ação na Secundária Dr. Mário Sacramento foi desenvolvida graças ao patrocínio de várias pessoas que se aliaram à Campanha crowdfunding MiudosSegurosNa.Net Tour 2014.
Teresa Correia
Acesso à internet na escola?
Quanto ao acesso à internet na escola, ele é inevitável. A escola é chamada a ajudar os alunos a desenvolverem as suas competências e a ensiná-los a distinguirem os exemplos “inspiradores” dos “destruidores” que as tecnologias apresentam.
Na opinião de Tito de Morais, o Ministério da Educação não deve cortar os acessos a determinados serviços da internet, nos horários por si estipulados. Serão as escolas que, na sua autonomia, deverão gerir os acessos dos diversos elementos da comunidade escolar.
A internet pode ser um risco ou um meio excelente de trabalho, de conhecimento e de socialização. Tudo depende da forma como a quisermos usar. A decisão depende de cada um, enquadrado pela escola, pela família e pelos amigos.
