Nas escolas estatais da área da diocese Em relação ao ano anterior, há menos 1,6 por cento de alunos matriculados nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica.
Dos 21.504 alunos matriculados nos 2º e 3º ciclos nas escolas públicas da área da diocese de Aveiro, 12.245 frequentam as aulas de Educação Moral e Religiosa Católica, ou seja, 54,4 por cento. No ano passado, eram 56 por cento. Apesar do decréscimo de 1,6 por cento, a diocese de Aveiro é uma das que regista mais altas taxas de frequência de ERMC por adolescentes e jovens no país. Os números foram divulgados há dias pelo Secretariado Diocesano do Ensino Religioso nas Escolas (SDERE).
Analisando os dez arciprestados que compõem a diocese de Aveiro, verifica-se que Albergaria-a-Velha continua a ter a mais alta taxa de frequência: 76,88 por cento (frequentam 1290 alunos em 1678), apesar de ter baixado meio ponto percentual em relação a 2004/05.
Aveiro, embora tenha o maior número absoluto de estudantes com EMRC, 2.537, detém a menor percentagem de frequência: 39,58 por cento dos 6.409 alunos no total (41,31 no ano passado).
Contra a tendência geral de baixa entre os dois e três por cento, dois arciprestados registaram um aumento da frequência: Anadia e Vagos. No concelho/arciprestado bairradino, 47,65 por cento dos alunos iam no ano passado às aulas de Moral, enquanto, em 2005/06 matricularam-se 49,08 por cento (723 alunos em 1.473) – aumento de 1,43 por cento. No conselho/arciprestado de Vagos a percenta-gem subiu de 71,24 para 72,38 por cento (1,14 por cento).
A título de curiosidade, refira-se que o número total de alunos nas escolas públicas desceu de 21.849 alunos, em 2004/05, para 21.504, no presente ano lectivo (diminuição de 1,57 por cento). Mas em três concelhos aumentou. Águeda tem mais 5; Estarreja tem mais 6; e Vagos tem mais 30 alunos.
Comentário
EMRC – Falta um maior empenhamento de todos
Há duas formas de ler os números indicados: ou nos centramos nos alunos que não estão matriculados, que também são uma preocupação para nós pela falta que a EMRC faz na sua formação, ou valorizamos os que estão, e são 54,4%, ou seja, 11702 alunos num universo de 21504. São muitos. Numa sociedade onde o laicismo se vai impondo como moral do Estado, querendo “arrumar”com o religioso para a esfera do individual, onde o consumismo determina o horizonte de felicidade, onde se confunde sucesso com poder e dinheiro,…os pais ainda procuram para os seus filhos uma educação integral, reconhecendo que o espiritual é uma dimensão essencial na formação de homens e mulheres que, conduzidos por valores, serão os construtores de uma sociedade onde cada um seja mais pessoa.
A disciplina de EMRC tem cada vez mais um papel determinante na escola, ultrapassando a fronteira da sala de aula e envolvendo toda a comunidade educativa. Ao professor de EMRC exige-se uma sólida formação humana e espiritual, além de capacidade científica. Ele é o rosto da Igreja na escola.
Continua a faltar… um maior empenhamento de todos os que defendem a presença da EMRC nas escolas. Pais, professores, párocos, catequistas, têm que unir esforços para que cada criança e adolescente sinta à sua volta, seja na família, na paróquia ou na escola, que existe, nos diferentes espaços onde vive, uma articulação de vontades, para que lhe seja proporcionado, de uma forma diferente mas complementar, um ambiente educativo que lhe permita a vivência dos valores cristãos numa ligação constante da Fé à Vida. Esta é condição essencial para que seja capaz de crescer de uma forma harmoniosa, indo ordenando a sua visão de Deus, de si mesmo, dos outros e do mundo, tornando-se capaz de fazer opções, de construir o seu projecto de vida.
Elisa Urbano, SDERE
