Mascote da família

Olho de Lince Conheci, desde o princípio, o drama desta família: o segundo filho, portador de profunda deficiência, condicionou fortemente os planos do casal ainda jovem. Agora, após dezasseis anos, o “menino” entrou no Reino da vida em plenitude.

Passei pelo “velório” a uma hora discreta. Só estava a família mais chegada: os pais, o irmão e três amigos próximos. Convidei-os a uma breve oração, não tanto pelo “menino” que o Senhor chamara, mas pela família, para que fosse corajosa na hora da dor e seguisse em frente, na sua devoção, no seu amor pela vida.

Não pude deixar de louvar essa estima pela vida que toda esta família nutriu, ao longo dos dezasseis anos de cuidado com o Rui. Significou, seguramente, muitas privações, muitas mudanças de planos, mas também muita unidade, muita interajuda, muito carinho pela vida débil. “Era a mascote da família” – dizia o pai. E no mais genuíno sentido da palavra – pessoa que dá sorte. O seu irmão confidenciava a alguém que a apurada sensibilidade aos ruídos anormais era uma sentinela da harmonia na família.

Mais uma vez me ocorre a palavra do místico: “Não te entristeças com as coisas dolorosas da vida, porque não sabes o bem que Deus pode tirar delas”. Há provas irrefutáveis!

Q.S.