Num ambiente de grande abertura, sintonia e vontade de melhor servir os casais através do Movimento das Equipas de Nossa Senhora, reuniu-se, no passado dia 25 de Abril, toda a Equipa da Região, com 28 conselheiros espirituais. Aqui fica o testemunho.
Vivemos um dia com momentos de grande intensidade e cumplicidade. O acolhimento e a apresentação dos participantes e do programa do dia criou clima para a oração, reflexão, partilha, convivência e compromisso no movimento e na Igreja.
O Padre José Manuel Pereira, que em 2006 participou no encontro de formação de “casais piloto”, em Fátima, onde desenvolveu o tema “ O papel do CE no Movimento das ENS”, disponibilizou-se para dar o seu contributo. De forma leve e atraente, ajudou-nos na reflexão e apresentação do manual do sacerdote enquanto conselheiro espiritual (CE).
Durante o encontro, fomos enriquecidos com a presença e teste-munho dos Bispos de Coimbra, Aveiro e Benguela, pelo que tivemos necessidade de fazer algumas alterações ao programa previsto. Tudo correu com grande harmonia e muito proveito para todos.
No início da apresentação, fomos agraciados com a visita inesperada do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, fruto da boa ligação do movimento à diocese; no final do almoço tivemos entre nós o Bispo de Aveiro, D. António Francisco, que se fez acompanhar pelo Bispo de Benguela, D. Óscar Braga, dado que se encontrava na diocese de Aveiro, para visitar dois sacerdotes do seu presbitério que nela colaboram.
O momento privilegiado da partilha aconteceu nas reuniões de grupo. Reflectimos algumas questões, tais como:
– As ENS “casam” dois sacramentos: Ordem e Matrimónio. Como olhamos para esta realidade?
– Como podem os CE ajudar os casais a crescer e a aprofundar o sacramento do matrimónio?
– Que testemunho se pede aos casais das ENS? Qual o seu papel a nível de pastoral familiar? Como expandir o Movimento?
Matrimónio e Ordem
A radical dignidade e igualdade dos dois sacramentos exigem uma opção fundamental da pessoa humana, chamada a aderir com toda a inteligência e de livre vontade. Dos dois podemos falar em complementaridade; não de dependência ou subalternidade do matrimónio em relação à ordem, porque são enxertados em Cristo, origem e plenitude de ambos. Os dois sacramentos estão unidos pelas leis do amor.
O Santo Padre Bento XVI, na encíclica “Deus é amor”, fala-nos de duas versões do amor (eros e ágape) que se complementam e, por isso, se enriquecem.
Um sacramento ajuda o outro. O sacerdote enriquece-se com a partilha de vida dos casais, que trazem para a equipa a visão do mundo concreto com luzes e sombras. Os casais beneficiam da dimensão espiritual que o CE é chamado a levar aos mesmos na procura constante da vontade de Deus e na vivência da comunhão fraterna. Os dois sacramentos têm a dimensão do serviço a Deus e aos outros.
O conselheiro integra a equipa?
Sente-se que o padre é a última palavra em nome da Igreja. “Cada Equipa deve contar com a colaboração de um sacerdote. Na equipa ele não é somente um CE, mas cumpre a sua função sacerdotal, «torna presente Cristo como cabeça do corpo», in Guia das ENS. Assim pode entender-se que é dispensado do percurso de esforço de crescimento cristão que é pedido aos casais. Por outro lado, a integração do CE também deve passar pela partilha, no que a si diz respeito, permitindo assim uma maior abertura de uns em relação aos outros membros da equipa. Esta partilha ajuda a sentirmo-nos peregrinos uns com os outros. Um pouco à maneira do que S.to. Agostinho dizia: “Cristão convosco, bispo para vós”.
A Igreja é uma comunhão
As ENS vivem uma experiência de comunhão em pequenas comunidades. Não são meramente um grupo de amigos, mas buscam uma experiência em Igreja, em comunhão com os demais irmãos. O CE tem a função de ser o ministro da Palavra de Deus. Pela fé, os casais reúnem-se, escutam a mesma Palavra e crescem. Assim também é sua função iluminar e esclarecer à luz do Evangelho a vida pessoal, do casal e da família. O tema de estudo deve ter aplicabilidade na vida prática do dia a dia.
O CE procura incentivar e abrir os casais da equipa às necessidades da Igreja, interpelando-os à participação e ao compromisso no Mundo face aos desafios que hoje se nos colocam como casal e família.
Os desafios dos bispos às ENS:
Da intervenção de D. Albino Cleto, retivémos esta interpelação:
– Tempos virão em que os outros se vão interrogar: “Famílias felizes, porquê?” Esta será a pregação sem palavras. Uma sadia provocação pelo testemunho dado nos diferentes ambientes e espaços (emprego, sociedade, locais de diversão…).
D. Óscar Braga partilhou connosco a importância que confere aos movimentos vocacionados para os casais, mas, de uma forma especial, ao das ENS, que entende que têm na Igreja a função de sal e fermento.
D. António Francisco (estava previsto que fizesse o encerramento do encontro, embora por razões pastorais não lhe tenha sido possível), fez a sua intervenção no início da tarde, deixando-nos esta palavra de estímulo e grande responsabilidade:
– As ENS são uma graça e bênção nas dioceses.
Congratulou-se com a presença de tão grande número de CEs, que traduziu por grande compromisso. Mostrou-se disponível para a expansão do movimento, uma vez que o plano pastoral da Diocese de Aveiro, para o ano 2006/2007, tem como orientação: “A Igreja ao serviço da família”.
Apelou a um olhar a realidade da família de hoje com esperança e particular atenção aos casais jovens, fazendo-lhes a proposta de viver em equipa a espiritualidade conjugal, sinal profundo do compromisso recíproco entre ambos e da Graça de Deus.
Por estarmos ainda a celebrar a Semana das Vocações de Consagração, lembrou às equipas a necessidade de rezar e fazer despertar vocações no seu seio.
O encerramento do encontro foi feito pelo CE da Região, Padre José Camões, que, com o testemunho de se sentir parte integrante das ENS, valorizou as intervenções feitas pelos diferentes participantes e, sentindo o bom que é conhecer mais para servir melhor o movimento, sugeriu que outros encontros viessem a acontecer no futuro.
Agradeceu a presença de todos e o empenho e alegria que toda a equipa da Região colocou na realização deste encontro. Com desejo de um bom regresso a casa, terminámos com o Cântico do Magnificat.
ENS-Região Centro Litoral
