Realidades que marcam os trabalhadores no mundo

Preparando o XIII Congresso – 2 Preparando o XIII congresso da LOC/MTC, que terá lugar em Setúbal, de 7 a 9 de Junho, a equipa diocesana oferece uma reflexão sobre as dificuldades que hoje os trabalhadores enfrentam: desemprego, vínculos instáveis, falta de formação…

Na caminhada preparatória para o seu Congresso, os militantes diocesanos deram especial atenção às realidades que marcam a Vida dos trabalhadores.

Para que o Movimento possa cumprir com eficácia a sua missão, ser “Sal, Luz e Fermento” no crescimento do Reino de Deus no mundo do trabalho, os militantes quiseram conhecer e analisar essas realidades. Elegeram como prioritária o TRABALHO.

Sendo o trabalho um Bem essencial de realização pessoal e de garantia para uma vida digna, é com preocupação que os trabalhadores vêm o seu futuro.

O espectro do desemprego ameaça demasiadas famílias, principalmente se se trata de trabalhadores sem qualificação técnica, ou de jovens formados em busca do primeiro emprego.

O desemprego atinge hoje cerca de meio milhão de trabalhadores, muitos com mais de 40 anos, com pouca qualificação profissional e escolar, com grandes dificuldades de encontrar novo emprego. Desfazem-se muitos sonhos. Surge frustração e falta de esperança.

O desemprego é uma realidade muito dolorosa, porque com ele perde-se o lugar de trabalho onde cada homem e cada mulher contribuem com a sua tarefa profissional para o desenvolvimento económico da sociedade. Assim, esta situação é também o caminho para a exclusão humana e social. Perdem-se vínculos sociais e convívio com colegas de trabalho. Fragiliza-se a confiança e a auto-estima nas capacidades criadoras que cada homem tem dentro de si.

Podemos afirmar que o desemprego provoca o aumento de doenças e de pobres e excluídos nesta sociedade.

A mensagem que se pretende fazer passar de que o emprego já não é um Bem, mas um privilégio, justifica a sua natureza precária, sem salvaguardas, com violação dos direitos sociais.

O trabalho precário tem hoje vários rostos: os contratos que chegam a ser ao mês, sem vínculo laboral à empresa onde se trabalha; os horários longos e salários baixos que se praticam; o trabalho à hora, à peça, e a recibos verdes.

Os contractos efectivos passaram a ser excepção neste mundo laboral. O sistema económico e empresarial hoje quer-nos fazer acreditar que a competitividade e o lucro das empresas assentam na precariedade do vínculo laboral, na flexibilização e rotatividade dos horários e nos baixos salários.

A facilidade com que várias empresas encerram ou se deslocam para países onde a mão-de-obra é mais barata coloca os trabalhadores numa permanente insegurança sobre o futuro do seu trabalho.

Esta situação provoca o individualismo dos trabalhadores, que, com medo de perderem o emprego que têm, não se organizam, inibem-se de participar e até se desligam dos sindicatos e de outras organizações de trabalhadores.

Os militantes da LOC/MTC indignam-se com a ganância insaciável de alguns e com a perda da dignidade humana e do sentido do bem comum, denunciando a cegueira de muitos poderosos e de um sistema economicista e neo-liberal, que não se cansa de produzir desempregados. Os trabalhadores vivem, hoje, um profundo desencanto. Em situação de dependência, sentem-se explorados pelos empregadores, que insistem na utilização de mão-de-obra barata e pouco qualificada, sem grandes preocupações de proporcionar formação profissional. A formação permanente nem sempre está adequada às necessidades de mão-de-obra especializada; por outro lado, não há muita sensibilidade por parte de vários empresários e mesmo por parte dos trabalhadores para a importância da formação profissional.

Temos o mais baixo índice de formação profissional da União Europeia.

A formação permanente, ao longo da vida, para ajudar os trabalhadores a acompanhar a evolução tecnológica, embora prevista em programas especiais, não está a ser muito concretizada.

A verdadeira riqueza reside na capacidade de nós construirmos uma sociedade em que cada olhar distribua sorriso. Mas tudo isto passa por uma mudança de menta-lidades e atitudes; dizendo não a esta sociedade de consumo, ao supérfluo, que muitas vezes põe em causa a própria dignidade.

Como militantes cristãos, acreditamos que outro mundo é possível; com trabalho para todos.

Equipa diocesana do LOC/MTC