Ministra da Educação em Aveiro A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou que a prioridade do seu ministério vai para a qualificação da educação e dos activos. Para tal, vai apostar em duas medidas: uma que visa combater o insucesso e o abandono escolar; e outra com o objectivo de alargar as oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.
A ministra apontou essas prioridades na sessão de abertura do Congresso Internacional sobre Educação e Trabalho, sob o tema “Representações sociais, competências e trajectórias profissionais”, que hoje termina na Universidade de Aveiro.
Educação e trabalho são, no dizer de Maria de Lurdes Rodrigues, grandes desafios que se põem a Portugal nos próximos anos, até porque o fosso que separa Portugal da média dos países da OCDE é bastante elevado neste sector.
De acordo com a responsável pelo Ministério da Educação, entre 1980 e 2001, Portugal teve um grande desenvolvimento ao nível da educação. Nesse período, a taxa de analfabetismo baixou dos 19% para 9%, enquanto que o número de titulares de cursos superiores subiu de 4% para 10%. Em Portugal, 30% dos activos completou o ensino secundário, enquanto que a média da OCDE é de 64%. Ao contrário do que se pensa, a ministra sublinhou que, mesmo na faixa etária dos 25 aos 34 anos, só 32% dos activos portugueses completou o ensino secundário, muito abaixo dos 74% da média da OCDE, o que ainda se torna mais grave, quando em Portugal cerca de 2,8 milhões de activos não concluíu o nono ano de escolaridade, dos quais cerca de 800 mil têm idades inferiores a 34 anos.
De acordo com os números fornecidos por Maria de Lurdes Rodrigues, um milhão de activos portugueses, ou seja, um quarto da população activa, não completou o ensino secundário. Metade dos activos, entre os 25 e os 34 anos de idade, que se inscreveram no ensino secundário, não completaram esse grau de ensino. Dos que iniciaram o ensino básico, 30% saiu antes de o terminar. Mas, pior ainda, são os 14% que não concluíram o primeiro ciclo do ensino básico. A par disso, só setenta mil activos estão actualmente a frequentar um qualquer grau de ensino.
Para combater esses números, o Ministério da Educação vai diversificar a oferta de formação profissional e vocacional nas escolas, ao mesmo tempo que irá apostar ainda mais na certificação de competências, de modo a atingir a meta prevista de trezentos mil diplomas de equivalência de competências. Tudo isso, com o objectivo de inverter a tendência portuguesa de “valorizar a retórica e o ensino teórico”, em desfavor do “saber fazer, do trabalho prático e manual”.
C. F.
