Misericórdia: atributo maior de Deus

À Luz da Palavra – X Tempo Comum – Ano A A Palavra deste domingo está repassada do tema “misericórdia”. A misericórdia é um dos maiores atributos do nosso Deus. A Palavra repete, com alguma insistência, que Deus prefere a misericórdia ao sacrifício. A expressão deve ser entendida no sentido de que, para Deus, o essencial não são os actos externos de culto ou as declarações de boas intenções, mas sim uma atitude de adesão verdadeira e coerente ao seu chamamento, à sua proposta de salvação.

Na primeira leitura, o profeta Oseias põe em causa a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir à aliança, com um coração sincero e verdadeiro. Os actos externos de culto, ainda que faustosos e imponentes, não significam nada, se não houver o amor na sua dupla vertente: a Deus e ao próximo. Deus quer que sejamos misericordiosos uns para com os outros. Isto agrada-lhe mais do que o culto que lhe prestamos com um amor frágil e passageiro “como o orvalho da madrugada que logo se evapora”.

O evangelho apresenta-nos uma catequese sobre o modo de responder ao chamamento a seguir Jesus. A narrativa transmite-nos a experiência pessoal de Mateus, um homem saído do grupo dos “impuros”, pois era cobrador de impostos, quando o Mestre o chama para o seguir. O evangelista relata-nos, em primeira pessoa, este antagonismo de concepções relativamente ao mesmo Deus, por parte de Jesus e por parte dos seus adversários. Jesus veio dar a conhecer o coração misericordioso do Pai: o que Ele faz é o que o Pai faz. Jesus insiste em que é preciso conhecer Deus e, por isso, exorta os fariseus com estas palavras: “Ide aprender o que significa: «Prefiro a misericórdia ao sacrifício». Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Recorda-lhes também a sua missão: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes”. Na verdade, Jesus veio chamar os que são e se reconhecem pecadores e não os que se auto-designam justos.

Na segunda leitura, Paulo apresenta aos cristãos, tanto aos que vêm do judaísmo e estão preocupados com o estrito cumprimento da Lei de Moisés, como aos que vêm do paganismo, a única coisa essencial: a fé. A figura de Abraão é exemplar: aquilo que o tornou um modelo para todos, não foram as obras que fez, mas a sua adesão total, incondicional, plena, a Deus e aos seus projectos. Diante da miséria dos homens e das mulheres, que Ele criou com tanto amor, Deus decide refazer a sua criação, chamando um homem e uma mulher sem vigor e com fraca vitalidade, Abraão e Sara, para darem início a um novo povo. E este casal acreditou na misericórdia de Deus, o que os fortaleceu na fé. É a misericórdia de Deus que actua, sempre que é necessário consertar o mal, mudando-o em graça e perdão. Quanto farisaísmo há, ainda, dentro de cada um de nós! E como é urgente conhecermos o nosso Deus e deixarmo-nos impregnar pela sua misericórdia!

X Domingo do Tempo Comum: Os 6,3-6; Sl 50 (49); Rm 4,18-25; Mt 9,9-13.

Deolinda Serralheiro