“Não há vida cristã sem a descoberta pessoal de Cristo”

D. António Moiteiro: “A pastoral é para nos fazer santos”

Bispo de Aveiro apela ao discipulado, que passa por assumir Deus como “causa única”,
pôr a Eucaristia no centro e aceitar a vida como missão.

 

“Não há vida cristã sem a descoberta pessoal de Cristo”, sublinhou D. António Moiteiro na assembleia diocesana que se seguiu à Eucaristia na Basílica da Santíssima Trindade, no sábado, 4 de março. A assembleia foi uma ocasião para o Bispo de Aveiro dizer aos diocesanos quais as suas preocupações como pastor. E a principal preocupação, aquela a que dedica mais atenção, é que todos sejam discípulos de Jesus Cristo. Daí o título da carta pastoral que escreveu para a peregrinação, publicada no guião e no sítio Internet da Diocese de Aveiro: “Maria, Mãe da misericórdia e modelo do discípulo”. Como dizia Santo Agostinho – realçou o Bispo de Aveiro –, “Maria é maior por ter sido discípula de Cristo do que por ter sido mãe de Cristo”.
D. António Moiteiro refletiu sobre a identidade do discípulo apontando três dimensões. Mas antes alertou para dois perigos: a fé “demasiado intelectual”, “só baseada na doutrina”; e a fé à “base de ritos”, de manifestações exteriores.
Na perspetiva do Pastor diocesano, o discipulado tem três dimensões ou desafios que estão presentes na Mensagem de Fátima. “A todos os que querem continuar a seguir Jesus, Ela [Nossa Senhora de Fátima] mostra-nos a meta”, disse. Em primeiro lugar, trata-se de ter “Deus como única causa”. Por outras palavras “a santidade como centro da pastoral”. “A pastoral é para nos fazer santos”, disse.
Em segundo lugar, surge “a Eucaristia como centro de vida cristã”. “Não há vida cristã sem a missa ao domingo, a Páscoa semanal”, disse, alertando que a desafeição cristã começa pela falta à Eucaristia, passa depois pela ausência de oração pessoal e termina na indiferença.
Por último, surge “a vida como missão”. “Qual o sentido da minha vida? O que Deus quer de mim?”, questionou o prelado, para salientar que “ser cristão é dizer sim à vontade de Deus”. No momento seguinte da assembleia, porque, disse D. António, “temos de ajudar a que os jovens sejam generosos na resposta a Deus que chama”, o P.e João Santos falou do trabalho do Pré-Seminário, um tempo e espaço que é para descobrir que “a vida ganha sentido quando é vivida como um dom”.
J.P.F.

 

Peregrinação “muito positiva”

D. António Moiteiro considerou a peregrinação a Fátima “muito positiva”. Disse-o ainda em Fátima, agradecendo a Deus e a Nossa Senhora, no final do Terço, na Capelinha das Aparições, e vendo os aveirenses concordarem com uma salva de palmas, e disse-o ao Correio do Vouga, apontando três razões. Primeiro, porque a resposta das paróquias foi muito boa. Estiveram presentes todas as paróquias, mesmo se algum pároco não foi. O Bispo de Aveiro tenciona escrever uma carta aos párocos para agradecer a mobilização. Segundo, por causa da “preparação e dos conteúdos” da peregrinação. De facto, a peregrinação foi preparada com a distribuição de lenços às cores por cada arciprestado, por ensaios de cânticos e por um guião que também serviu para a viagem de autocarro. “Recebi comentários de várias pessoas que me disseram que esta peregrinação teve muito impacto, julgo que isso se deve à preparação e aos seus conteúdos”, disse D. António Moiteiro. Como terceiro motivo para a satisfação do Bispo de Aveiro, surge a participação dos padres e diáconos. Nem todos estiveram em Fátima, alguns por motivo de doença, mas foram poucos os que não peregrinaram ao santuário mariano.

 

Evento anual? Primeiro é preciso avaliar

O Correio do Vouga perguntou a D. António Moiteiro se com esta peregrinação se iniciam as peregrinações anuais de Aveiro a Fátima, como fazem várias dioceses. A de Coimbra, por exemplo, realiza em Fátima os seus maiores encontros diocesanos. E o mesmo aconteceu com Aveiro. Talvez a Bênção dos Finalistas reúna mais pessoas – fala-se em 10 a 12 mil participantes, entre alunos e familiares –, mas a maioria não é da área da Diocese e o grau geral de envolvência, participação e sintonia é muito menor.
D. António Moiteiro deu a entender que veria com bons olhos uma peregrinação anual a Fátima, mas antes de qualquer decisão, disse, “é necessário fazer uma avaliação desta peregrinação”, nomeadamente com os padres arciprestes.

 

Oito peregrinações diocesanas a Fátima

9 e 10 de novembro de 1940 – Campanha a favor da paz
16 e 17 de junho de 1941 – Consagração da Diocese diante da imagem de Nossa Senhora
29 e 30 de outubro de 1945 – A Diocese agradece por Portugal não ter entrado na guerra
24 e 25 de abril de 1948 – Décimo aniversário da restauração da Diocese
12 e 13 de abril de 1950 – Peregrinação na sequência de uma campanha mariana nascida na Bairrada
4 de junho de 1967 – 50 anos das Aparições. Maior peregrinação de Aveiro: cerca de 25 mil pessoas.
24 de setembro de 2005 – “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Cinco mil pessoas em Fátima com D. António Marcelino
4 de março de 2017 – Peregrinação do Centenário das Aparições.