1 – A Europa assiste com alguma indiferença, sobretudo com falta de reacção dos católicos, a um conjunto de “acasos”, que não têm outro objectivo senão fazer crer, principalmente às gerações mais jovens, a inutilidade de Deus, na vida de cada um e no cerne da vida social. Desde o “insignificante” esquecimento de enunciar as festas religiosas católicas na agenda da Europa, até às orientações educativas dirigistas, estalinistas e laicistas…
Se tivessem feito isto com pleno êxito dois séculos atrás, estaríamos hoje privados de um conjunto de talentos, que vão da política à biologia, da literatura à química, da matemática à música, da filosofia à economia…
Em boa hora o ISCRA – Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro – tem desenvolvido um conjunto de iniciativas que demonstram, à saciedade, como a possibilidade de liberdade de educação, o exercício desinibido da fé, a presença da Igreja no cerne da vida das sociedades, têm sido um contributo precioso para um desenvolvimento positivo das pessoas e das nações, da ciência e da civilização.
É modesta no seu tamanho, mas extremamente rica na sua substância, uma exposição aberta na semana passada e patente no Seminário de Aveiro. Cerca de uma vintena de figuras de primeiro plano ali nos demonstram como a fé da Igreja, vivida intensamente por essas pessoas, foi um impulso para se guindarem à altura de traves mestras de ciências e artes, artífices de civilizações.
2 – Quem dera que encontrássemos, hoje e no nosso país, sobretudo na política, na economia, na administração…, figuras destas, em vez de “narizes de pinóquio”, vendedores de banha da cobra, charlatães e manequins, fraudulentos com ares de vítimas, atirando-se mutuamente os frasquinhos mal cheirosos das culpas da catástrofe, deixando ao povo a impressão de que, afinal, os culpados somos todos nós.
É verdade que os maus hábitos, que a todos contagiaram, acabaram por instalar um clima de novo-riquismo insustentável e balofo. Mas alguém nos vendeu este paraíso de ilusões: de relativismo, sem compromissos; de facilidade, sem sacrifícios; de consumo, sem produção; de futuro, sem suor no presente…
Palavras! Palavras! Palavras!… Ai, se o povo abrisse os olhos e visse a realidade que nos ocultaram, se abrisse os ouvidos e desse crédito aos sábios que nos alertaram, estaríamos seguramente num caminho mais esperançoso. E aqueles que nos distribuíram “pão e circo” estariam há muito a pagar as suas burlas.
Nunca é tarde para retomar rumos certos! Sobretudo nunca é tarde para acordar do sono da inércia e tomar em mãos o nosso destino, recusando hipotecá-lo a qualquer “D. Sebastião” surgido destes nevoeiros em que nos envolveram.
