Notas Litúrgicas B) Lugar da Reserva Eucarística
Pelo respeito que o Santíssimo Sacramento merece, deve guardar-se num lugar apropriado, destacado e apto, de modo que favoreça a adoração e a oração dos fiéis.
A reserva do Santíssimo guarda-se geralmente no sacrário da igreja ou oratório. A norma pede que haja um só sacrário em cada igreja para exprimir a unidade significada na Eucaristia. Torna-se inconcebível que, numa mesma igreja, se guarde a Eucaristia em dois ou mais sacrários.
Recomenda-se igualmente que o sacrário esteja na capela chamada do Santíssimo, separada da nave central da igreja. Esta capela deve ser um lugar apropriado para o silêncio e o recolhimento, para a oração e adoração, devidamente adornada e decorada. Todas as igrejas deveriam ter a capela do Santíssimo, sobretudo as paroquiais. O Ritual da Dedicação das Igrejas dá importância a esta capela quando prevê o rito da inauguração da mesma.
Se não for possível realizar o que se disse, colocar-se-á o sacrário, segundo a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes de cada lugar, num altar, ou fora dele, procurando que seja a parte mais nobre da igreja, bem ornamentada e visível aos fiéis.
Nos últimos decénios, suscitou-se a polémica da colocação do sacrário e houve uma evolução em busca das soluções mais correctas. A arte, o espaço arquitectónico e a criatividade ofereceram e oferecem muitas possibilidades de soluções: umas podem-se considerar acertadas, enquanto que outras devem ser consideradas inadequadas ou inaceitáveis.
Entre as soluções não correctas podem-se contar: os sacrários incrustados no altar de uma forma estável ou accionados mecanicamente no momento da celebração; sacrários postos diante do altar ou separados dele sobre uma coluna mais baixa que o altar, ou em cima de uma mesa colocada diante do mesmo a um nivel inferior, duplicando assim o altar; ou, finalmente, sacrários colocados de tal forma que a cadeira presidencial fica colocada à sua frente.
A solução correcta e normal é que o sacrário esteja na capela do Santíssimo; é também aceitável que esteja num altar da igreja ou, a juizo do Bispo diocesano, num lugar sem altar. As soluções positivas hoje são muito mais que as negativas e vão-se consolidando, fundamentando-se nos princípios teológico-litúrgicos.
A flexibilidade da norma permite estudar a melhor solução para cada caso, consultando-se os peritos na liturgia e arte, sobretudo quando se trata da construção de novas igrejas ou da restauração das existentes.
C) Material e segurança do sacrário
A norma, além do lugar, indica que o sacrário deve ser inamovível e feito de matéria sólida e não transparente; e recomenda a máxima segurança para evitar o perigo de possíveis roubos e profanações (cf. EM 52, 54; RCCE 10; CIC cân. 983, § 3).
Se se suspeita de algum perigo de profanação durante a noite, para maior segurança, pode-se reservar o Santíssimo noutro lugar digno e seguro. O responsável da igreja deve velar que a chave fique devidamente acautelada, evitando que fique no sacrário ou perto dele ou sobre o altar, mas em lugar seguro.
Também é preciso evitar que o Santíssimo fique esquecido, devendo ser renovado em cada mês, evitando a humidade e que as formas se corrompam.
D) Os sinais da presença do Santíssimo
Segundo o costume, deve arder continuamente diante do sacrário uma lâmpada especial, que significa e honra a presença de Cristo. Se houver outras lâmpadas à volta do sacrário, é necessário que esta lâmpada se distinga claramente de todas as outras. Pelo seu simbolismo, aconselha-se que seja alimentada por azeite de oliveira ou cera.
A presença da Santíssima Eucaristia no sacrário assinala-se também pelo uso do véu, recordando o simbolismo da tenda montada pelo Senhor no meio de nós.
SDPL
