“Oh Emanuel! Oh Deus connosco!”

4º Domingo do Advento – Ano A A Palavra deste domingo centra-nos na certeza de que Jesus é o “Deus connosco”, o Emanuel. Pela sua encarnação veio estabelecer a sua tenda entre nós, ficando a ser um dos nossos. Em Jesus, Deus encontrou-se connosco, para nos oferecer uma proposta de libertação e de salvação, a começar desde aqui e agora.

Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia ao rei Acaz que Jahwéh não abandona o seu povo, mas que, ao contrário, quer fazer caminho com ele, actuando na sua história e propondo-lhe sinais reveladores da sua salvação. É neste “Deus connosco” que somos convidados a colocar a nossa esperança e a nossa segurança e não em apoios humanos que sempre falham. Aproximamo-nos da celebração do nascimento de Jesus, que é também para nós um sinal do amor profundo que Deus nos tem. Deus ama-nos de tal modo que nos dá o seu Filho único, Jesus Cristo! Ele é o “Emanuel”, Aquele que permanentemente está em nós e no meio de nós. Calcorreia connosco os caminhos da vida e enfrenta, a nosso lado, todas e cada uma das nossas dificuldades. Apoia-nos diante dos desafios e ajuda-nos a sair deles vencedores. O rei Acaz, duvidava da protecção de Deus ao povo de Israel, que ele governava e, porque a sua mulher ainda não lhe tinha dado descendência, queria fazer alianças com povos estrangeiros, indo, assim, contra a Lei de Deus. Porém, Isaías anuncia-lhe um sinal de Deus: a sua mulher irá ter um filho, Ezequias, e este filho será uma prova de que Deus continua a proteger o seu povo, de que Deus está com ele, é o “Emanuel”. Acaz confiava mais nas soluções humanas do que em Deus. E eu, em quem ponho a minha confiança fundamental? Nas seguradoras, na banca, na tecnologia, nos avanços da medicina, na política? Coloco a minha confiança em Deus ou nas estruturas humanas?

Na terceira leitura, Mateus aplica a profecia de Isaías à virgem Maria e a seu filho Jesus. Este é o grande sinal de que Deus está connosco, de que é o “Emanuel”. Mas nesta perícopa de Mateus, surge uma figura escondida, não menos importante: é José. Se, por um lado, ele manifesta estranheza que a sua noiva esteja grávida sem que ele concorresse para isso, e, por este facto, resolve abandoná-la em silêncio, tal nos indica clara-mente a concepção virginal de Jesus; por outro lado, este homem crente, fiel e honesto, é também chamado por Deus a colaborar de outro modo no processo de salvação da humanidade, que tinha a sua plenitude com o aparecimento de Jesus. José é esclarecido intimamente pelo próprio Deus, e é a ele que Deus confia o encargo de dar o nome ao filho de Maria: “Tu pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque ele salvará o povo de seus pecados”. Dar o nome, em linguagem bíblica, significa ter poder sobre a pessoa a quem se atribui o nome. Assim, Deus confere a José o título de pai legal de Jesus, com os direitos e deveres inerentes a esta missão, sendo Maria a sua mãe. Maria e José apresentam-se-nos como duas personalidades disponíveis a acolher o projecto salvador do Deus connosco e a permitir que ele se realize através das suas próprias vidas. No meio da escuridão da fé e por entre planos misteriosos e inacessíveis a simples humanos, Maria e José escolhem colocar a sua segurança em Deus que é fiel. E eu, estou disponível para que Jesus possa nascer nas pessoas e no mundo através de mim?

A segunda leitura diz-nos que todos aqueles e aquelas que um dia se encontraram com Jesus e receberam a sua boa nova, hão-de tornar-se, por sua vez, arautos desta mesma boa nova, levando-a a todos os homens e mulheres, de todos os tempos e lugares, como uma boa nova de libertação e de salvação encarnada. Na primeira e na terceira leitura deste domingo, descobrimos que Deus confia uma missão a cada um dos actores das cenas bíblicas: Isaías, Maria e José. Paulo afirma que também a cada um de nós é confiada a missão de anunciar Jesus. E podemos perguntar-nos: como estou eu a cumprir, aqui e agora, a missão que Deus me confia, relativamente ao anúncio de Jesus e da sua boa nova? Há muita gente, individual e socialmente, que duvida de Deus e da protecção garantida que Ele dá ao seu povo, e faz pactos, coligações e conluios fora do plano salvífico de Deus. A Palavra deste domingo afirma-nos que, por mais enigmáticos que sejam os caminhos, Deus é o “Emanuel”!

Leituras do 4º domingo do Advento – Ano A

Is: 1, 10-14; Sl 24 (23); Rm 1,1-7; Mt 1,18-24