O fundo do problema

A resultante deseducativa de projectos e currículos, de programas e suportes didácticos, é a manifestação da matriz profunda que enforma toda a teia da indevida intervenção estatal na educação.

Está-lhe subjacente uma antropologia diabólica, no sentido semântico mais radical do termo. Isto é, uma antropologia que desintegra, que divide a pessoa, que, a pretexto de lhe dar autonomia, a priva de uma dimensão essencial, a qual lhe abriria o caminho de uma existência realizada, a saber: a sua ontológica dimensão relacional.

Na verdade, a promoção de uma falsa visão da liberdade, de uma “realização” pessoal desenhada por um egoísmo feroz, divide o ser humano da sua plenitude e abre caminho a toda a forma de conflitualidade, pela incapacidade de reconhecer a relação com os outros como integrante da essência e, portanto, de uma personalidade feliz.

Projecta uma mentalidade de utilização dos outros, a começar pelos pais, em função dessa fúria individualista. E a sadia emulação torna-se irracional competição, que não olha a meios. O suporte do tecido social, nestas circunstâncias, por mais que se desencadeiem propostas e projectos de solidariedade, não passa de uma “tolerância imposta”, capaz de se romper ao mínimo pretexto e desaguar numa violência incontrolável.

Pelo contrário, uma antropologia humanista de inspiração evangélica, uma matriz de pessoa humana com o perfil de Jesus Cristo “em fundo de água”, constrói o indivíduo na relação, no amor. Nela, o “eu” dá sentido a si próprio a partir da relação com o “tu”; o tecido social exprime o gosto do “nós” como a expressão máxima da inclusão, da comunhão das diferenças.

São rumos diametralmente opostos. São intencionalidades “inimigas”, cujos frutos resultarão necessariamente antagónicos: o espírito de divisão e a civilização do amor!

Como podem, as famílias e os grupos sociais, as associações humanistas e as igrejas e religiões, os laboratórios cul-turais, consentir esta lenta mas apostada rota de extinção da espécie humana naquilo que a torna, em verdade, original? Podemos acordar tarde!…