O que queres de nós Senhor?

A Eucaristia no meu coração Falar de Eucaristia fora da Catequese ou da análise Teológica não é fácil. Falar de intimidade, de relação e história pessoal, do indizível e inefável, parece ficar reduzido e incompleto quando o tentamos enquadrar em símbolos e regras de comunicação. Trata-se de expressar algo que “é”, mas logo a seguir “é mais”, porque “é diferente”, “é intimo”.

Falar de presença de Deus na vida de casal, ainda é mais difícil. Lembramos o que dizia o Pe José Craveiro s.j., num seu aniversário, com voz embargada, ao contemplar a sua vida; “De onde Ele me trouxe,… com que paciência; com que carinho … .

Gostamos de falar assim da nossa opção por Ele em casal. Não de uma mera escolha. Gostamos de falar assim da opção que vivemos e renovamos desde há alguns anos, diariamente,… com Ele.

Se formos sérios, não podemos deixar de O encontrar. Quando partimos para uma aventura a dois, sem irresponsabilidades, mas com uma sã inconsciência do que a vida nos guardava, olhando a nossa história, temos de reconhecer que há milagres, sinais, presença de quem partiu connosco um dia!

Toda a nossa história, toda a nossa relação converge e parte da Eucaristia. Sem o alimento, como poderíamos seguir a nossa missão? Aí, tudo ganha sentido. É um encontro diário com o Amor permanente e concreto do Pai pelo que somos. Não por aquilo que queremos, desejamos ou achamos que devemos ser, mas por quem conhece e ama profundamente.

Naquele altar tudo se entrega. Os filhos que recebemos, um a um, pelo seu nome, a sua história e realidade. A família que está longe, a paróquia, a comunidade, o trabalho… É o “ponto crítico”, onde verdadeiramente se morre para se res-suscitar, para que tudo ganhe a verdadeira vida. O que temos sobre o altar é “pão partido”, alimento partilhado, vida oferecida, para que se consuma e se torne na nossa própria vida, em Deus presente na nossa própria realidade, nos outros.

Com Jesus Cristo, morrer para o outro é uma opção de felicidade. Como marido e mulher, aprendemos esta realidade. Crescemos juntos, não no anular-se, demitir-se ou calar-se, mas no acolher, compreender e servir o que nos une. Viver a intimidade com este Pai, procurá-Lo e descobri-Lo em cada rosto, cada coisa, cada circunstância, apesar de todo o nosso pecado, tem-se revelado, para nós, fonte de paz, ânimo para o caminho e esperança para o futuro.

Elisa e Tó Zé Urbano