Após 170 anos, que futuro para a Sociedade de São Vicente de Paulo? “O vicentino tem de ser uma pessoa incomodada e incómoda, na sua comunidade e junto dos poderes políticos, porque a causa dos pobres não tem prazo e é de todos os dias.” Esta afirmação foi de D. António Marcelino, na cerimónia de abertura do seminário que decorreu no Centro Cultural e de Congressos, em Aveiro, no sábado, com a participação de dezenas de vicentinos da nossa diocese.
Organizado pelo Conselho Central de Aveiro da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), este encontro contou, ainda, com a participação do presidente nacional daquela organização de fiéis leigos, Manuel Torres da Silva; do presidente da Segurança Social de Aveiro, Jorge Campino; do presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Martinho Pereira; e do presidente em exercício da Cáritas Diocesana, Carlos Maia.
No seminário, foi escalpelizado o tema “Após 170 anos, que futuro para a Sociedade de São Vivente de Paulo”, sob diversas facetas, por António José da Silva (Frederico Ozanam e a sua obra), Fernando Reis (A SSVP em Portugal e no mundo), Sampaio Veríssimo (A acção das Conferências no mundo de hoje e a sua espiritualidade), e Olívia Oliveira (O futuro da SSVP – renovação e recrutamento de vicentinos).
Citando o último documento do Papa sobre a Igreja na Europa, o Bispo de Aveiro lembrou que “é preciso devolver a esperança aos pobres”, amando-os e testemunhando-lhes que eles “são particularmente amados por Deus” e ajudando-os a valorizarem as suas próprias potencialidades. “Ninguém pode delegar em ninguém o amor aos mais necessitados”, disse D. António, que acrescentou: “o pobre é uma pessoa que grita por justiça, por amor e por solidariedade, e quem deixar de ouvir este grito está cada vez mais insensível ao próprio Deus.”
Para Armando Rocha, o fundador das Conferências Vicentinas, Frederico Ozanam, procurou, há 170 anos, “envolver o mundo numa rede de caridade”, havendo hoje mais de um milhão de vicentinos atentos aos mais pobres, levando-lhes a palavra amiga “que recordarão no resto dos seus dias”.
Os vicentinos não esperam o pobre atrás de uma secretária, mas “têm olhos para os ver, ouvidos para os ouvir e mãos para os ajudar”, numa atitude de escutar “os que vivem fora do calor humano”, disse aquele dirigente.
Jorge Campino, frisou que a estrutura que dirige se apoia em leis e normas e que os vicentinos se baseiam no amor e na dedicação. E não é por acaso, sublinhou, que muitas vezes os seus serviços pedem o apoio das Conferências, “porque são elas que conhecem a pobreza envergonhada e os dramas humanos”. Ainda denunciou que nos tempos que correm “se dá mais valor ao amigo virtual da Internet do que ao amigo de carne e osso que vive a nosso lado”.
Por sua vez, Manuel Torres da Silva garantiu ao Correio do Vouga que há no nosso País 11 mil vicentinos, com predominância de gente a partir dos 60 anos, mas que a organização que dirige vai apostar em cativar os que vivem com reformas antecipadas e que podem muito bem oferecer parte do seu tempo, para acompanhar os que se encontram em solidão. Depois, será feito um esforço no sentido de inte-grar os mais novos para que, com a experiência dos mais velhos, venham a contribuir para o rejuvenescimento das Conferências Vicentinas.
F.M.
