Oliveira do Bairro: Festa arciprestal do Corpo de Deus encheu Espaço Inovação

Milhares de pessoas encheram o pavilhão do Espaço Inovação, em Vila Verde, Oliveira do Bairro
Milhares de pessoas encheram o pavilhão do Espaço Inovação, em Vila Verde, Oliveira do Bairro

No penúltimo domingo, celebrou-se, a nível da diocese de Aveiro e obviamente, do arciprestado de Oliveira do Bairro, agora formado por oito freguesias, a solenidade do Corpo de Deus, dia que era, ainda há poucos anos, considerado pelos cristãos dos mais santos e de grande respeito. Tanto assim que era feriado nacional. “Era um dia bonito, mas os tempos modernos fizeram com que esse feriado acabasse”, frisou padre Mário Ferreira. Às 10.00 horas, começou o acolhimento e, passada meia hora, começou a Missa, presidida pelo arcipreste e pároco de Oiã, padre Mário Ferreira, tendo concelebrado os vários párocos, mais o padre João Gonçalves e o missionário Orlando, à excepção do padre Melo, que esteve ausente, e do padre João Carlos, que foi o responsável pelo coro, essencialmente formado pelo coro da igreja do Troviscal. Em cima do palco, decorado com sóbria beleza, estiveram também alguns diáconos e os indispensáveis acólitos.

“Directas com Deus”
O espaço, este ano, teve algumas melhorias no aspecto de conforto para as pessoas. Praticamente só ficou de pé quem optou por essa situação. Além das bancadas, havia uma boa quantidade de cadeiras, provenientes, umas, do salão dos bombeiros e outras, da Associação de Melhoramentos da Mamarrosa, separadas por uma larga passadeira vermelha que topava numa outra, de cor verde. O espaço estava agradável, graças também muito ao pessoal do pavilhão do Espaço Inovação que foi o coração do arciprestado naquela manhã. Muito antes das 10.00 horas, começava a chegar gente de muitos lados e o número, largas centenas, não foi inferior ao do ano passado. Fazendo a guarda de honra ao altar, estiveram três agrupamentos de escuteiros, que foram responsáveis pela realização do ofertório. E as crianças que fizeram a primeira comunhão, mas não tantas como era expectável. Organização previdente, estiveram presentes alguns bombeiros e a GNR acompanhou o peddy paper, realizado entre o parque da Seara, na noite de sábado para domingo, sendo responsável por este evento, que incluiu, depois da chegada ao pavilhão oração Taizé e música, nomeadamente karaoke, o padre Leonel Santiago, responsável pela pastoral juvenil. “Foi uma directa”, lembrou o padre Mário, que não deixava de, em pura metáfora, dizer-lhes que também Deus “faz muitas directas por vós, jovens”. Deixou-lhes ainda uma palavra de gratidão pela “directa com Deus”. Ao mesmo tempo, pediu-lhes a força de viverem a esperança nestes tempos difíceis, para concluir que “a Igreja será mais Igreja se os jovens forem igreja”.

“Comungar as dores do outro”
No tempo da homilia, afirmava o arcipreste que “todos nós somos Corpo de Deus”: aqueles que dão a conhecer Deus e o servem de alguma forma. Os que acorrem aos que precisam, pão para os que não o têm para cada dia, um lenço para enxugar as lágrimas, os que servem os idosos e os doentes. Estas são alguns dos cuidados a ter com o Corpo de Deus, que é a própria Igreja em si. Este também é dia de “recordarmos as coisas boas que Deus faz em nós”. Outros dois pensamentos quis deixar: empreender a presença de Deus em cada um de nós e, se o Corpo de Deus “é o pão da unidade e do amor”, temos de cuidar do Corpo da Igreja e, dentro deste mesmo espírito, temos de “comungar o outro” – metáfora que não quer dizer senão isto, comungar as dores e as preocupações dos outros, estar com os que mais precisam, como os que mais sofrem no seu corpo e na sua alma, no seu dia-a-dia, sem esperança e sem emprego, ir às periferias onde o Corpo da Igreja mais sofre, ao jeito do Papa Francisco.
Terminada a Missa, um ponto alto: a adoração do Santíssimo, com invocações, orações e cânticos, antes, durante e depois da procissão com pálio armado, dentro do espaço e com o acenar de lenços (não eram lenços, eram guardanapos, de várias cores, uma para cada paróquia), um momento alto desta grande jornada de Fé e Esperança.

Armor Pires Mota