Bento XVI foi eleito no dia 19 de Abril. Depois de saudar os peregrinos da Praça de S. Pedro e se apresentar como “humilde servo da vinha do Senhor”, jantou com o colégio cardinalício na Casa de Santa Marta. Ementa: Sopa de feijão, carnes frias e fruta, gelado e champanhe. Presidiu, no dia seguinte, à Eucaristia, na Capela Sistina, com os cardeais. Foi o primeiro acto oficial como Papa. Não fez homilia, mas no final da missa afirmou como causa fundamental a promoção do ecumenismo. “Para isso não bastam as manifestações de bons sentimentos. São precisos gestos concretos que entrem nas almas e movam as consciências”, disse. O novo Papa afirmou ainda a importância da união de todos os bispos, a vontade de continuar a concretização do Concílio Vaticano II e o desejo de ir a Colónia, à Jornada Mundial da Juventude. Depois da missa, Bento XVI tomou posse dos novos aposentos – os que tinham sido selados dois dias depois da morte de João Paulo II, apesar de, por enquanto, continuar a dormir no quarto (não havia suites para todos os cardeais) que por sorteio lhe foi atribuído para o conclave. À tarde, Bento XVI teve o primeiro banho de multidão, quando se dirigiu ao antigo apartamento em Roma. Foi a sua primeira saída do Vaticano, de Mercedes preto, escoltado por duas viaturas. À porta do apartamento, onde viveu duas décadas e do qual levará para o Vaticano os livros e o piano, esperavam-no duas mil pessoas. Bento XVI abençoou os fiéis e beijou duas crianças, Blandine e Hubert (francesas).
Na quinta-feira, Bento XVI reconduziu, donec aliter provideatur (“até nova decisão”), os responsáveis pelos órgãos da Cúria Romana.
No dia 22, sexta-feira, Bento XVI foi saudado por cada um dos cardeais (eleitores e não-eleitores). O cardeal-patriarca de Lisboa beijou-lhe as mãos e dirigiu-lhe umas palavras durante uns 20 segundos. Joseph Ratzinger agradeceu a confiança dos cardeais, expressou os seus limites com expressões como “humana impotência” e “fragilidade humana”. No sábado, Bento XVI saudou e elogiou o trabalho dos jornalistas na morte de João Paulo II e durante o conclave. Bento XVI, perante cerca de três mil jornalistas que vão cobrir a missa de início de pontificado, afirmou que deseja “continuar o diálogo construtivo entre a Igreja e os média”. O Papa falou em italiano, inglês, francês e alemão. A imprensa espanhola ficou indignada por o papa não ter usado a “língua falada por metade dos católicos do mundo”.
O domingo foi o grande dia do novo Papa, com a celebração do “Início do Ministério Petrino do Bispo de Roma”. Bento XVI, depois de ter ido junto ao Túmulo de São Pedro, recebeu o Anel do Pescador (com dois peixes como símbolo) e o Pálio Petrino (estola, símbolo da jurisdição universal), presidiu à missa e foi saudado por doze pessoas (destaque para uma família coreana, um jovem do Sri Lanka e outro da República Democrática do Congo – Ásia e África, onde o cristianismo mais cresce). De seguida, deu uma volta à Praça de S. Pedro no papamobile. Ao meio dia, presidiu ao Angelus. Meio milhão de peregrinos e 36 chefes de estado saudaram o Pastor da Igreja Católica. José Sócrates, Primeiro-Ministro, convidou-o a visitar Portugal quanto antes.
Na segunda-feira, o Papa Bento XVI recebeu, na sala Paulo VI (seis mil lugares), os peregrinos alemães que no domingo estiveram na missa de início de pontificado, encontrou-se com representantes de comunidades cristãs e de outras religiões não cristãs e visitou a basílica de São Paulo Fora dos Muros.
J.P.F.
Portugal, Portugal, Fátima. Não se esqueça de apresentar a Nossa Senhora este pontificado”
Palavras de Bento XVI a D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, depois da eleição.
Email do Papa
O Vaticano criou uma ligação directa para todos aqueles que desejem endereçar as suas felicitações a Bento XVI. O e-mail para esse efeito é: bentoxvi@vatican.va
