“Ovo mole preto de Aveiro será um produto gourmet português de grande prestígio”

José Francisco Silva, presidente da APOMA
José Francisco Silva, presidente da APOMA

José Francisco Silva, presidente da Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro (APOMA), recorda o trabalho que levou o doce típico da cidade da Ria a ser pioneiro na qualificação como produto de Indicação Geográfica Protegida (IGP) e, mais recentemente, a autorização inédita para ser comercializado ultracongelado, abrindo portas aos mercados externos.
O setor que já emprega 300 pessoas, devendo fechar o ano com 160 toneladas produzidas, continua a ter margem para crescer em casas da especialidade e, consequentemente, no volume de negócios.
O próximo desafio é relançar o ovo mole preto, coberto de chocolate, como produto de requinte para mercados mais exigentes. Entrevista conduzida por Júlio Almeida.

 

 

CORREIO DO VOUGA – Para quem lê fora de Aveiro, o que é a APOMA ?
JOSÉ FRANCISCO SILVA – É uma associação setorial, nós produzimos géneros alimentícios, neste caso doces tradicionais, com centenas de anos, que são ovos moles de Aveiro. O grande cartão de visita da cidade. Toda a gente conhece. Quem vem a Aveiro, consome e leva sempre de recordação uma caixa de ovos moles.

 

A APOMA quer chegar a novos horizontes ?
Somos ambiciosos, queremos que os ovos moles marquem presença mais acentuada em outros pontos do país e fora do País.
Já não é sonho ter uma associação que represente do mais pequeno ao maior produtor. Darmos todos as mãos para ter massa crítica e chegar a mercados mais longínquos, com outra dimensão, é o objetivo número um da APOMA.

 

Faça um pouco de história da APOMA?
A associação foi criada em 2000. Tem sido um trabalho lento, mas sustentado. Começámos com cinco, hoje são mais de 40.

 

Como foi o início, associar os produtores, havia desconfianças, são concorrentes?
Foi muito difícil esse trabalho de arranque, o primeiro passo. Imagine o que é tentar traçar um caminho comum na presença de representantes legais das empresas. Isto é, as pessoas não falavam e quando falavam era com o advogado ao lado. Alterar esta forma de estar, pensar que juntos somos mais fortes, foi difícil. E conseguimos quando na Universidade de Aveiro os produtores começaram a provar os ovos moles dos concorrentes. E descobriram uma coisa muito importante: pensavam eles que o seu produto era o melhor, mas viram que os ovos moles dos outros são tão bons ou melhores do que os deles. Então mudaram a forma de pensar. “Se eu aprender com o meu colega ainda posso melhorar o meu produto”.

 

 

Leia mais na edição em papel do Correio do Vouga do dia 25 de novembro de 2015