Pátria, Zé Povinho e Subsídio-depedências

Ponta de Lança As duas referências que encimam este apontamento são sobejamente conhecidas e, pelo que é facilmente verificável, estão muito bem inculturadas nos conceitos e práticas portuguesas, quer locais quer nacionais.

Recorrendo ao que circula pelo mundo…

Este jeito peculiar vem, pelas “crónicas”, desde tempos de antanho!?

Portugal é reconhecido como nação num gesto que nos definirá como povo.

Em 1128, as tropas de Teresa de Leão e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede, tendo as tropas do infante saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado. Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder, concentrou os seus esforços em negociações junto da Santa Sé com um duplo objectivo: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e obter o reconhecimento do Reino. O que será alcançado com a “Manifestis probatum”, bula emitida pelo Papa Alexandre III, em 1179, que declara o Condado Portucalense independente do Reino de Leão e Afonso Henriques o seu rei.

Emancipado da mãe, o Rei Fundador (o Conquistador, de seu cognome) estende a mão a Roma a troco de quatro onças de ouro (uma onça equivale aproximadamente a 28 gramas). Mas como não ia lá com quatro, comprome-teu-se a entregar anualmente 16 onças de ouro.

Saltando para o bordalense Zé Povinho…

É a personagem de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro e adoptada como personificação nacional portuguesa. É também conhecido como João Bítor, grande amante de binho e xixas.

Apareceu pela primeira vez no 5.º exemplar d’A Lanterna Mágica a 12 de Junho de 1875, num desenho alusivo aos impostos, onde se representava Fontes Pereira de Melo vestido de S.to António com o “menino” D. Luís I ao colo, enquanto Serpa Pimentel (Ministro da Fazenda) sacava o dinheiro do Zé, que permanecia boquiaberto a coçar a cabeça vestido com um fato rural gasto e roto. Ao lado, o comandante da Guarda Municipal, observa de chicote na mão, para prevenir uma eventual resistência.

Nos números seguintes, o Zé Povinho continuou a surgir de boca aberta e a não intervir, resignado perante a corrupção e a injustiça, ajoelhado pela carga dos impostos e ignorante das grandes questões. O próprio Raphael Bordallo-Pinheiro diz: “O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e… fica como sempre… na mesma”.

Um salto mais e estaremos na Gripe A e nos recursos para a erradicar… fica para a semana.

Desportivamente…

…pelo desporto!