À Luz da Palavra – XVII Domingo Comum – Ano C A Liturgia da Palavra deste domingo alerta-nos para a necessidade de perseverarmos na oração cristã. Persistir na oração, para pedir, agradecer, louvar, contemplar Deus, não é tarefa fácil. Que o digam aquelas e aqueles que o experimentam quotidianamente. Há dias em que nos apetece rezar, com fé viva e confiança: sentimos a necessidade do silêncio, da interioridade, do recolhimento em Deus. Há outros dias em que tudo é sombra e vazio. Estamos agitados, temos muito que fazer, não temos tempo a «perder» na oração. Aliás, ela nada nos diz. Somos, assim, inconstantes e frívolos. A nossa fé e a nossa confiança em Deus nem sempre é bastante forte, para acreditarmos que Ele está sempre em nós, à espera dos poucos ou dos muitos minutos que lhe queiramos dar, para dele recebermos a ajuda adequada e a palavra certa, que nos conduz à alegria e à felicidade de viver em comunhão com Ele e com os demais.
Na primeira leitura, Abraão intercede pelo povo de Sodoma e de Gomorra – cidades protótipo da corrupção e do pecado – para que Deus não as destrua, no caso de lá morar ainda algum justo. É uma narrativa simples e cheia de dinamismo. Abraão apresenta-se-nos como o grande intercessor a favor do povo. E Deus escuta-o.
No evangelho, após o exemplo de oração do Senhor Jesus, os seus discípulos pedem-lhe que lhes ensine a orar. E o Senhor assim fez: transmitiu-lhes a bela oração do Pai-nosso, a qual, mais do que uma oração, nos ensina um modo de estarmos na vida e de nos relacionarmos com Deus, com as irmãs e os irmãos e com as coisas materiais. Contudo, Jesus aproveita a ocasião para contar também uma parábola sobre a necessidade de orar e de o fazer com intensidade e com persistência. Só assim o Pai nos dará o seu maior dom, o Espírito Santo.
Na segunda leitura, Paulo, mais uma vez, exalta Cristo, aquele que nos fez voltar à vida pela sua morte de cruz, anulando, deste modo, o documento que testemunhava as nossas faltas e nos impedia da visão beatífica de Deus. Baptizados em Cristo, sabemos que nEle temos um eterno intercessor junto do Pai. Também Cristo reza por nós. Incessantemente!
A oração exercita-se, treina-se. Há diferentes caminhos de oração, como diferentes somos todos nós. Deus quer que nos relacionemos com Ele como somos, com o nosso jeito próprio, com a nossa inteligência, imaginação e afecto. Mas o maior e mais poderoso caminho de oração é a própria Bíblia, a palavra de sabedoria que Deus nos dirige, nas mais diversas circunstâncias da nossa existência. Rezar com a Bíblia é também uma arte. É o Espírito Santo que nos guia nesta oração. E, quanto mais lermos e aprendermos a Bíblia, mais possibilidades temos de saber rezar com ela, como Jesus, que rezava, confortava e argumentava sempre com palavras bíblicas.
XVII Domingo Comum: Gn 18,20-32; Sl 138 (137), 1-3.6-8; Cl 2,12-14; Lc 11,1-13.
Deolinda Serralheiro
