Pistas de reflexão

Educar… hoje “A Escola, a descoberta mais bonita da humanidade, tal como hoje está pensada estraga as crianças.” Esta foi a provocação do psicólogo Eduardo Sá, que deu o mote à sessão promovida pela Associação de Pais e Encarregados de Educação, no dia 22 de Maio, na Escola Secundária Homem Cristo, em Aveiro.

Aqui ficam alguns apontamentos:

Discordou da colocação precoce dos bebés nos berçários, onde, muitas vezes, os estímulos se reduzem a mobiles hipnóticos. Defendeu que as crianças não deveriam entrar na Escola antes dos dois anos.

Distinguiu quatro parâmetros essenciais nos quatro primeiros anos de vida: educação física; educação musical; educação plástica; Português e Matemática.

Do horário semanal das crianças deveria constar um período alargado para brincar, que hoje se transformou numa actividade sazonal ou de fim-de-semana. “Brincar é estruturante; é o aparelho digestivo do pensamento. Quem não é capaz de brincar, não é capaz de pensar.”

Dos trabalhos de casa, disse que os pais deveriam ser proibidos de colaborar, ou de fazerem as pesquisas para os filhos. É preciso que os deixem errar; porque errar e ter negativas é aprender.

Das chamadas “aulas de substituição”, falou da vantagem de a matéria ser explicada por professores diferentes. Defendeu, porém, as actividades lúdicas, de educação física e artística, para esses “feriados”.

Dos professores, disse serem um bem de primeira necessidade. Se os próprios acreditassem realmente nisso, seriam mais reivindicativos.

Do insucesso escolar, disse ser a Escola a primeira responsável, seguida dos Pais e, em terceiro lugar, do Aluno. Acrescentou que os cursos profissionais devem ser alternativas a ter em conta.

Da relação Escola/Família, escandalizou-se com a ausência dos pais, quando a sua presença é reclamada pela Escola. Criticou a inadequação de alguns horários de recepção dos encarregados de educação, coincidentes com os horários laborais.

Nas relações familiares, Eduardo Sá considera que os pais são o brinquedo preferido das crianças. Ergonómicos, não se partem em pedacinhos, não têm ângulos perigosos, nem são tóxicos. Quando contam histórias, a luminosidade salta-lhes dos olhos, pois é a alma que fala e não a boca.

Os filhos (crianças, adolescentes e jovens) “esperam que os pais façam de Norte.” Por isso, o psicólogo adjectivou de “curioso” o facto de, aos 11 / 12 anos, as crianças serem “despejadas à meia-noite”, nos bares de Lisboa, e “recolhidas já alcoolizadas às quatro horas da manhã.” Por isso, estranhou a ausência de campanhas contra os acessíveis canais televisivos pornográficos. Por isso, “os bons conselhos e os maus exemplos nunca podem andar de mãos dadas”: Não se atende o telemóvel, é a regra que o adolescente vê o adulto quebrar constantemente.

Manifestando-se contra a educação “fatiada”, Eduardo Sá exclamou estar cansado de falar de educação sexual. Parece que “a sexualidade é a principal questão de saúde pública”. Sublinhou que os adultos têm muito mais comportamentos sexuais de risco que os adolescentes.

Rematou dizendo que educar é falar da vida. E deixou uma mensagem de optimismo, porque sabe que “quando as pessoas tentam entender-se, até as coisas impossíveis se tornam realizáveis.”