A nossa maior pobreza não é, de modo algum, a dificuldade de atrair o investimento, a lentidão em aumentar o produto interno bruto, a incapacidade de controlar e diminuir a despesa do estado, a impossibilidade de inversão da tendência do aumento de desemprego… O futuro de um país ganha-se pela educação. E a pobreza das pobrezas que vivemos é o défice educativo e o desconcerto em traçar políticas educativas, acima das querelas partidárias, para além dos interesses instalados, que garantam um empenho de todos e cada um na causa comum.
1 – O primeiro indício dessa pobreza é a incapacidade de reconhecer a pessoa humana como fonte inspiradora e objectivo final de toda a iniciativa, do estado como da sociedade civil. Só pela relação é que o indivíduo se torna pessoa. Qualquer proposta, qualquer programa, se não contém um dinamismo que estabeleça e fortaleça relações, em vez de as debilitar e diluir, não é uma promessa válida para uma nação que necessita de se reencontrar como comunidade, de diferentes mas iguais.
2 – O quadro de valores endógenos, estruturantes da pessoa, não se desenha, não encontra referenciais, porque, quando se propõem, todos os que se propõem são recusados como ingerências exógenas, limitadoras da liberdade. Consuma-se progressivamente uma política de terra queimada, resultante de um relativismo generalizado e progressivo, que torna cada um árbitro de si mesmo, medida de verdade, padrão e juiz do próprio comportamento.
3 – Nem aquilo que poderia ser uma inebriante respiração transformadora – a leitura de uma obra exemplar, a escuta de um guru reconhecido, a apreciação de consagradas obras de arte, a audição de narrativas musicais de itinerário, o saborear do silêncio interpelante… faz parte do currículo dos meios de comunicação social, integras as reuniões de família, tem lugar nos passatempos pessoais.
4 – Sobrariam os espaços educativos complementares – as escolas, as igrejas,as associações, os grupos… – que se omitem, têm a mesma limitação de horizontes, ou encontram uma cultura da resistência, que recusa toda a forma de interrogação e de busca de sentido. Sim, é essa a pobreza das pobrezas: não há preocupação, deixou de haver espaço, para as questões de sentido, para as interrogações sobre a vida, o homem, o mundo, o próprio Deus.
Com a colonização da vida humana pelo económico e tecnológico, tornou-se insignificante o sentido e o valor da própria pessoa. As ciências humanas não conseguem ombrear com a avalanche de administrativas e tecnológicas!
Esta é a inversão que urge programar e forçar. Essa é a riqueza que trará consigo todas as riquezas por que ansiamos!
