Não é de estranhar que os meios de comunicação social se nos apresentem diariamente sobrecarregados com notícias do sudeste asiático, deixando-nos, cada vez mais, doridos por dentro, perante a enormidade da tragédia e a nossa incapacidade de a perceber e de minimizar os efeitos desta destruição implacável de pessoas e de bens. Não percebo como há gente a querer ser, orgulhosamente grande, no poder e na fama, ao confrontar-se com esta força indomável e inesperada da natureza, que a inteligência humana ainda não conseguiu dominar, nem controlar.
Sem que devamos esquecer as capacidades naturais e adquiridas, que nos habitam e são em nós uma força construtiva, se as não menosprezarmos nem destruirmos, os sinais da natureza criada, traduzidos tanto na serenidade do decorrer dos diversos tempos, como no desencadear ruidoso das forças ocultas que a habitam e, por enquanto incontroláveis, constituem um despertador sensível e eloquente que nos faz olhar para a verdade do que somos e para a realidade que nos envolve. Lendo estes sinais, podemos crescer no conhecimento da nossa grandeza e dos nossos limites, na atenção às leis da natureza que devem ser respeitadas e integradas pelo saber humano. Foi o homem que recebeu do Criador a missão de dominar a terra e tirar dela, até ao fim dos tempos, sem a profanar, tudo quanto é útil para o bem e para o serviço de todos.
O povo, com a sabedoria nascida da experiência de séculos, diz que a natureza não respeita quem a não respeita a ela e às suas leis.
Vem crescendo, em diversos aspectos, uma sensibilidade que se generaliza e que leva as pessoas a olhar, com respeito e gratidão, a natureza criada como a maior riqueza, a respeitá-la e aproveitá-la, como bem de todos e com o propósito de não a degradar nem a destruir. Uma sensibilidade necessária que crescerá sempre mais, se crescer o empenho educativo, dos mais pequenos até aos mais velhos, em relação ao ambiente natural e aos aspectos ecológicos.
O respeito pela natureza implica, também, atenção às leis que regem a vida humana na sua integridade, do nascer ao morrer, e que não são criação de um homem sábio, mas desafio diário à verdadeira sabedoria e à sensatez de todos, dos investigadores aos políticos, sem excluir o homem da rua.
Quem dera que, ainda sob a carga emotiva da desgraça de muitos, nos chegue à consciência a vontade de continuarmos a ser solidários, pois o que de doloroso toca aos outros, de algum modo nos toca a todos nós. A onda de solidariedade desencadeada no mundo, diz que, no coração de cada um, há um tesouro a fazer render todos os dias. É pena que seja necessária a calamidade para que muitos desçam ao fundo do seu coração.
