Portugal valoriza turismo religioso

Promoção no exterior passa a incluir turismo religioso. No Centro, o ponto mais forte é Fátima. Mas há mais.

Portugal vai valorizar o turismo religioso, garantiu o secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, na conferência internacional “Caminho Português de Santiago”, que decorreu no Cine-Teatro de Anadia, promovida pela Turismo Centro de Portugal em parceria com o Turismo de Espanha, a Xacobeo Galícia, a Associação de Peregrinos Via Lusitana e a Câmara Municipal de Anadia.

“O turismo baseado num dos mais fortes sentimentos”, como é o sentimento religioso, “tem um potencial extraordinário que nós não podemos desprezar”, diz o secretário de Estado do Turismo. Por isso, o “turismo religioso assume um eixo na estratégia de promoção, ou seja, quando promovemos o turismo português no estrangeiro temos obrigatoriamente de falar no turismo religioso”, realça. Assim, este tipo de turismo “passa a ter um espaço próprio nas campanhas de promoção. Ele existe e tem a mesma força que o sol e o mar. Aliás, ele é um elemento estruturante da nossa cultura e é um elemento estruturante da nossa nacionalidade”.

Como o turista religioso que visita Portugal “vai à procura dos caminhos e dos lugares de culto estejam eles onde estiverem”, Adolfo Mesquita Nunes considera que o país tem de ter uma estratégia nacional coerente que o leve a potenciar esta oferta. O governante reconhece, no entanto, que “há muito por fazer ainda, quer no campo da informação e animação, quer nas condições de acolhimento, quer nos serviços e nas acessibilidades, não para valorizar esse produto estratégico que é, mas para o podermos potenciar como estratégico”, para além da necessidade de “sensibilizar os agentes económicos para esta realidade”.

Mesquita Nunes revelou que houve “resistências para que o turismo religioso pudesse ser um produto estratégico”, sobretudo vindas dos agentes económicos que operam no turismo, pelo que, afirmou, “temos de desenvolver ações de sensibilização para os agentes económicos perceberem a dimensão do turismo religioso e para se poderem adaptar a ela e ganharem com ela”.

Brasil quer Fátima

O mercado turístico brasileiro foi um dos que mais cresceu em Portugal, realçou o responsável, adiantando que o grande centro de atenção dos brasileiros quando nos visitam é Fátima. “Posso quase dizer que eles vêm a Portugal para irem a Fátima e depois, com sorte, veem um bocado do resto do país”, afirmou. Por isso, propõe que o turista ao chegar a Fátima perceba que “chegou a um ponto nevrálgico da rede de turismo religioso que nós temos”.

O Turismo de Portugal já está a fazer algum trabalho no setor do turismo religioso, tanto na criação de roteiros, como os “Caminhos Marianos”, “Caminhos Judaicos” e “Caminhos de Santiago”, como nos programas de marketing desses roteiros, quer incluindo o turismo religioso nos promocionais genéricos, mas , sublinhou o governante, “temos de fazer mais, de explorar este desconhecimento sobre a importância do turismo religioso”.

Cardoso Ferreira

Caminho Português de Santiago

candidato a Património da Humanidade

Sobre o Caminho Português de Santiago, o secretário de Estado de Turismo diz estar consciente da importância que representa a candidatura desse caminho a Património da Humanidade pode representar na estratégia da afirmação do turismo religioso, revelando que já falou com a Secretaria de Estado da Cultura para “dar o apoio institucional a esta candidatura”, o mesmo acontecendo com a candidatura do caminho português a Itinerário Cultural Europeu. O governante mostrou total disponibilidade para colaborar no trabalho de reconhecimento, de identificação e do trilho do caminho em Portugal, que “nesta região está bastante avançado”.