Olho de Lince Trabalhava calmamente, às primeiras horas da manhã daquele sábado. O desejo era de não ser interrompido por ninguém. Mas a campainha tocou! Pelo intercomunicador, a uma voz porventura pesada – “Quem é?” – respondeu a delicadeza de uma criança: “Desculpe, senhor Padre. Desculpe de o incomodar. A minha catequese estava marcada para a Igreja; mas não está cá ninguém. Pode dizer-me, por favor, se sabe, onde é que estão?”
Se a palavra inicial tivera sido menos branda, esta delicadeza, esta educação de uma criança, varrera por completo alguma consequência de fígado em crise. A informação foi transmitida com prontidão e clareza, mas também com a doçura que se impunha.
Do outro lado, continuou a surpreendente lição de educação, que parecia atravessar o canal de comunicação misturada com um sorriso de satisfação: “Muito obrigado, senhor Padre! Muito obrigado! E desculpe o incómodo!”
Há ainda muita gente, mesmo da mais pequena, nem sempre criada nos melhores ambientes, que absorve as práticas de boa educação. É preciso é que as vejam, que tenham espaços para as exercitar!
Q.S.
