João Paulo Soares Henriques, 24 anos, filho de Gracinda Soares da Silva Henriques e de João Amaro de Oliveira Henriques, vai ser ordenado diácono no próximo domingo. O seu percurso vocacional começou na passagem da adolescência para a juventude, na paróquia de Beduído, Estarreja.
Conta o João Paulo que “ir à missa fazia parte das regras de casa”. Porém, a certa altura quis deixar de ser acólito na paróquia por “não achar graça nenhuma andar de túnica branca”. Só não o fez por insistência do seu amigo e acólito Bruno Azevedo. Essa ligação às celebrações litúrgicas leva-o a pensar na “questão vocacional”, que tem um marco decisivo quando ouve a interpelação do Bispo de Aveiro, no final da visita pastoral a Estarreja. “O D. António disse-me: ‘Precisamos de jovens como tu lá em Aveiro, no Seminário’, e aquilo ficou a ecoar dentro de mim”, relata o João Paulo. Começa então a ligação ao pré-seminário, enquanto frequenta a Escola Secundária de Estarreja.
Nos tempos do pré-seminário, além das amizades dos outros pré-seminaristas e padres, foi muito importante o apoio da professora de EMRC, religiosa da comunidade das Carmelitas Missionárias, de Veiros, e do Pe Ângelo Pereira da Silva, que então trabalhava na paróquia de Beduído. Desde então até hoje, o jovem que será ordenado diácono no próximo domingo contou também com o apoio do pároco da sua terra, Pe. António Fragoso. “É cada vez mais um amigo e um mestre”, diz João Paulo.
Actualmente, o João Paulo está a frequentar o sexto ano do curso de Teologia, no Seminário de Coimbra. Aos fins de semana, colabora na paróquia da Glória, Aveiro, com os padres João Gonçalves e Manuel João Araújo. Nos anos anteriores, o seminarista João Paulo colaborou nas paróquias da Torreira, com o Pe Ângelo, em Esgueira, com o Pe Joaquim Martins, e no Pré-Seminário, com o Pe Nestor.
Os gostos do novo diácono
Livro preferido: “O nome da Rosa”, de Umberto Eco
Anda a ler: “Dona Flor e os seus dois maridos”, de Jorge Amado, e “A Eucaristia, nossa Santificação”, de Raniero Cantalamessa
Nunca se cansa de ouvir os discos de: Carlos Paredes
Disciplina teológica preferida: Sacramentologia
Desporto preferido: Andebol
Último filme que apreciou: “Dancer in the dark”, de Lars von Trier
Lugar de eleição em Portugal: Ria de Aveiro
País que gostava de visitar: Brasil
Uma qualidade que tem: Conciliador
Pessoa que admira: Martin Luther King
Herói do passado que gostava de conhecer: S. Francisco de Assis
Passagem da Bíblia preferida: Lava-pés (Ev. S. João)
Gesto de Jesus que admira: Refeição em casa de Zaqueu (Ev. S. Lucas)
Frase que o inspira: “Nada antepor a Cristo”.
Diácono, “Servidor das mesas”
Na origem, ainda nos tempos bíblicos, diácono é o “servidor das mesas”, ou seja, em linguagem da actualidade, o que se empenha em actividades sócio-caritativas. Mais tarde, o ministério tornou-se uma etapa a caminho do ser padre: e deixaram de existir os diáconos permanentes. O Concílio Vaticano II restaurou o diaconado permanente (homens que são ordenados diáconos, como fim, para o serviço da Igreja) e valorizou o “diaconado a caminho do sacerdócio”.
Actualmente, aos diáconos são confiados quase todos os tipos de serviços eclesiais, sendo os mais visíveis os da liturgia, assistindo o bispo ou o presbítero. O diácono pode proclamar o Evangelho, baptizar (contudo, em circunstâncias excepcionais qualquer pessoa o pode fazer) ou presidir à cerimónia do matrimónio.
Embora a ordenação diaconal (no caso do João Paulo, como no caso do João Alves, ordenado diácono em Janeiro de 2005) tenha em vista a ordenação de padre, ao contrário dos diáconos permanentes, o diaconado não é apenas uma passagem para o presbiterado, visto que o padre continua a ser diácono, isto é, servidor. Significa, sim, o início do serviço a tempo inteiro à Igreja.
