Qualificação de trabalho

Questões Sociais 1. A área da qualificação do trabalho constitui uma insuficiência grave da política de emprego. Tanto no plano local (abordado no artigo anterior) como no nacional. A qualificação do trabalho consiste no processo educativo e laboral destinado a: a) aumentar e melhorar a produção; b) contribuir para que esta seja economicamente viável, correspondendo às solicitações do mercado; c) e favorecer o desenvolvimento e a satisfação das pessoas envolvidas no trabalho. É desejável que, além disso, a qualificação do trabalho inclua a partilha de saberes, promova, na empresa e fora dela, um ambiente favorável à qualificação e se baseie no respeito da dignidade humana.

A qualificação do trabalho pode fazer-se a partir do próprio trabalho ou a partir de organizações especializadas: escola, centro de formação ou outras organizações semelhantes. Em muitos casos, a qualificação realiza-se a partir do trabalho e de organizações de formação. E também existem organizações desta natureza, dentro de algumas empresas e de outras instituições empregadoras.

2. Desde os anos 60 do século passado, a política de emprego optou pela qualificação a partir de organizações de formação. Ignorou, e até menosprezou, a qualificação inerente ao trabalho. Daí resultou que as atenções políticas e os correspondentes meios financeiros se destinaram, predominantemente, a escolas, centros de formação, outras entidades formadoras e a empresas de média e grande dimensão.

Tal opção teve, pelo menos, quatro consequências gravemente nefastas: a imensa maiorira das empresas e os respectivos trabalhadores não foram abrangidos; não se reconheceu o valor do trabalho e do trabalhador, independentemente da qualificação; não se contribuiu para a sua valorização, na própria actividade laboral; acentuou-se a ideologia segundo a qual o estudo e a formação não se destinam a qualificar todo o trabalho, mas sim o abandonar o “inferior” e, no limite, a não trabalhar. A velha dicotomia popular “trabalho ou estudo” justifica análise cuidada a este propósito.

3. A inflexão desta tendência postula que: a) sejam abrangidas, pela política de qualificação profissional, todas as empresas e todos os trabalhadores; b) dentro de cada empresa (ou outra instituição empregadora), se processe a qualificação do trabalhador e do empresário, bem como da própria organização.

Para que tal desiderado se venha a realizar, a partir dos locais de trabalho, é necessário que a política de qualificação tenha como agentes dinamizadores os promotores locais de formação. Necessária é também uma clara dispersão e a distribuição equitativa dos apoios que, actualmente, se concentram em poucas empresas e noutras organizações.

Não é fácil e, a curto prazo, não é possível. Infelizmente…