O Núcleo Regional de Aveiro da Quercus – Associação nacional de Conservação da Natureza, alertou para as consequências nefastas dos recentes incêndios e da caça para a biodiversidade da área lagunar do Baixo Vouga e da Ria de Aveiro, muito em especial ao nível da destruição de ninhos de Águia-sapeira.
De acordo com aquela associação ambientalista, um incêndio ocorrido em 2004 eliminou, na área do Baixo Vouga, o habitat de nidificação de um casal de Águia-sapeira. No ano seguinte, os incêndios destruíram o habitat de nidificação de outros três casais daquela espécie de ave de rapina. Este ano, os recentes fogos acabaram com o habitat de nidificação de mais dois casais de Águia-sapeira e danificaram o local de dormitório de Inverno que aquela espécie ocupa nesta região há cerca de 15 anos, e que, em determinados anos, pode atingir duas dezenas de indivíduos.
Fim da caça?
Para além dos incêndios, a Quercus considera a caça outra fonte de preocupação para a biodiversidade na zona do Baixo Vouga Lagunar e da Ria de Aveiro. Um comunicado da associação refere que essa zona é “de elevadíssimo valor conservacionista, estando inclusivamente protegida ao abrigo da legislação comunitária e nacional. Trata-se de uma área inserida na Zona de Protecção Especial (ZPE) da Ria de Aveiro, ao abrigo da Directiva Aves”, facto que a Quercus reforça, dizendo que “é uma zona de grande importância para a conservação das aves selvagens”.
Apesar disso, a associação sublinha que “a caça continua a exercer-se, ano após ano, denúncia após denúncia, de forma ilegal. Caça-se em qualquer altura do ano e a qualquer hora do dia. É um cenário dantesco aquele a que se assiste no local e que é do conhecimento de todas as autoridades”.
Tal como a Quercus, também outras entidades da região se manifestam contra a caça na zona do Baixo Vouga Lagunar, havendo mesmo um abaixo-assinado em circulação. Uma dessas entidades é o BioRia (organismo tutelado pela Câmara Municipal de Estarreja), que pede a interdição da caça naquela zona, “não por fundamentalismo, mas por factos concretos e técnicos”. Entre esses factos, o realce vai para três: a sobrevivência de espécies como a Águia-sapeira e a Garça Vermelha; a segurança das pessoas que visitam essa área, muito em especial o percurso do BioRia em Salreu; e a contaminação dos solos e águas pelos cartuxos e balas, nomeadamente devido aos metais pesados (com destaque para o chumbo) que contêm.
