Respeito e tolerância, porquê e em quê?

Não sei se se deve falar de incultura ou de ignorância, de má-fé ou de cegueira ideológica, tantas são as afirmações vazias de valores e de sentido e à revelia do bom senso e da objectividade. A perplexidade é cada vez maior para quem não se instalou, nem se enfeudou a pessoas ou a interesses passageiros, não abdicou da sua responsabilidade pessoal e social.

Não se trata, como é óbvio, de contestar o respeito à opinião diferente ou de não ser tolerante perante posições diversas. Porém, o direito ao respeito e a tolerância têm regras para que se possam considerar parte importante do equilíbrio relacional e social. Porquê e em quê respeito e tolerância mútuos?

Agora vemos por aí, dito e escrito de mil maneiras, que o aborto não deve ser crime, porque os interesses da mãe prevalecem e o feto ainda não estabelece relações com ninguém; na adopção não tem que se privilegiar um casal normal, porque dois homens ou duas mulheres, em união de facto, podem educar; o casamento de homossexuais, homens ou mulheres, é tão aceitável como o de heterossexuais e a sociedade deve aceitar e sancionar, de igual modo, a tendência e preferência de cada cidadão que quer ser família desse jeito; a humanidade inteira terá sida se os que querem ter relações sexuais dispensarem o preservativo; a educação sexual se pode resumir a ensinar a evitar a gravidez precoce, porque tudo o resto já as crianças e os adolescentes estão fartos de saber…

Se passarmos a outros campos da vida social, o clima não é diverso. Na apreciação política só parece prevalecer o aspecto económico; no mundo da educação, quase só os direitos dos profissionais movem vontades; em alguns meios de comunicação, mais interessam as audiências e o vender o produto, que o respeitar as pessoas e a verdade objectiva…

Para tudo se vai fazendo teoria, preparando novos corifeus, dominando a opinião pública, organizando cruzadas para calar as vozes dissonantes.

Será hoje tudo opinável e já nada tem valor nem consistência?

Quem educa gente nova não sabe para onde se voltar ou por onde começar. O que vai ao sabor da facilidade tem sempre mais acolhimento. Os pais vão perdendo batalhas; os educadores, se têm e respeitam valores fundamentais, perdem audiência; as instâncias de formação moral são consideradas anacrónicas. Tudo em nome do progresso, das esquerdas, da modernidade.

Os que não desistem continuam a afirmar, serenamente, o valor da pessoa humana, a necessidade e a verdade da família, o direito permanente à vida, a responsabilidade perante o bem comum, o respeito pela natureza e suas leis, a indispensabilidade da moral e da ética na convivência diária, o sentido das raízes cristãs da nossa cultura, a não aceitação de que se destruam ou menosprezem valores nacionais e universais básicos.

Temos de nos entender sobre o que somos e o que queremos. Já é tempo.