2º Domingo do Advento – Ano A A liturgia da Palavra do segundo domingo interpela-nos sobre as nossas incoerências de vida e convida-nos a trabalhar pela harmonia entre a nossa fé e a nossa vida. Isto exige-nos uma verdadeira revolução da mente e do coração, de modo que os valores fundamentais que marcam a nossa vida sejam exactamente os valores do “Reino” de Deus.
Na primeira leitura, o profeta Isaías apresenta um enviado de Jahwéh, da descendência de David, sobre o qual “repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, de conselho e de fortaleza, de conhecimento e de temor de Deus”. Então, o violento e o ímpio serão atingidos e os infelizes e humildes serão julgados segundo a verdade e com justas sentenças, pois a sua missão será construir um reino de justiça e de paz sem fim, de onde serão definitivamente abolidas as divisões, as discórdias, os conflitos. Para nós, cristãos e cristãs, Jesus Cristo é esse enviado de Jahwéh, o “Messias”, que veio efectivar o sonho do profeta. Ele iniciou esse “Reino” novo de justiça, de harmonia e de paz sem fim, na sua própria pessoa, onde descobrimos o Deus vivo. Jesus convida-nos a ser coerentes com a graça baptismal que recebemos, vivendo a nossa condição de filiação divina no amor, na partilha, no dom da nossa vida. É este o contributo efectivo que dou para que o “Reino” se torne uma realidade no mundo em que habito?
No evangelho, João Baptista anuncia que a concretização deste “Reino” está muito próxima. João, cheio de severidade nas vestes e nas palavras, apela, veementemente, aos que a ele se dirigem para serem baptizados, a que sejam verdadeiros e coerentes entre o arrependimento que parecem manifestar, o estilo de vida que levam e as acções que praticam. Porque, aquele que vem depois de mim, afirma João, o Messias, irá proferir sentenças justas e «queimará» os fraudulentos. Ele veio propor-nos um baptismo “no Espírito Santo e no fogo”, que nos tornará filhos e filhas de Deus, capazes de viver na dinâmica do “Reino”. O centro da mensagem do evangelho é o apelo à conversão. Não é possível acolher “aquele que vem” se o nosso coração estiver cheio de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preocupação com os bens materiais. É, pois, necessária uma revolução da nossa mente e do nosso coração, uma coerência de vida, que sintonize valores, comportamentos, atitudes e palavras, deixando de lado tudo o que ocupa o espaço destinado ao “Senhor que vem”. Estou disposto a esta revolução, para que na minha mente e no meu coração eu dê a prioridade a Jesus? Que deve mudar na minha vida? Aceito ser filho e filha de Deus, viver em comunhão com Ele na oração de intimidade e no amor fraterno? É este o caminho que, no meu dia a dia, eu procuro?
A segunda leitura dirige-se à comunidade cristã de Roma, que recebeu de Jesus a proposta do “Reino”. Paulo recomenda-nos que alimentemos sentimentos convergentes uns face aos outros, sentimentos que provoquem harmonia e união, como Cristo, embora com maneiras de pensar e culturas bastante diferentes. Que nos acolhamos uns aos outros como Cristo nos acolheu, ajudando,sobretudo, os irmãos e irmãs mais débeis. Que nos disponhamos a servir uns aos outros, como Cristo, que se fez servo de todos. Só assim, poderemos construir o “Reino” iniciado em Jesus e, a exemplo de Jesus. Todos sabemos como é exigente a conversão da mente e do coração à harmonia, à partilha com os mais pobres, ao amor fraterno incondicional, ao dom da vida. Esta revolução pessoal só é possível graças à força que vem do Espírito de Deus. Tenho o hábito de pedir a Deus a sua ajuda para vencer o meu egoísmo e para amar verdadeiramente os meus irmãos? Quero deixar-me “chicotear” com a Palavra para que aconteça a desejada revolução na minha mente e no meu coração?
Leituras do 2º Domingo do Advento – Ano A
Is 11,1-10; Sl 72 (71); Rm 15,4-9; Mt 3,1-12
