Sinais, alarme, esperança!

FLAUSINO SILVA
Empresário

SINAIS!
É comum afirmar-se que as instituições tendem a ser, em grande medida, o que forem os seus membros e os seus dirigentes.
A Igreja é também, de certo modo, a imagem do que são os seus membros e a sua hierarquia.
Presente na vida das comunidades, ela exprime a qualidade e o nível de empenhamento dos cristãos e dos seus pastores.
Realizando a sua missão na história, ela reflete, naturalmente, os efeitos da própria qualidade da cidadania e do nível de eficácia da organização social e da governação.
Atravessando o nosso país, à semelhança de outros, uma profunda crise de valores, individuais e coletivos, repercute-se na comunidade eclesial, diretamente afetada pelo mau funcionamento do Estado e das suas instituições, com efeitos nocivos na vida individual e coletiva.

 

ALARMES!
A crise de valores afeta, gravemente, a qualidade da democracia e, consequentemente, a qualidade da governação das nações. O que se passa nalguns países do mundo, sobretudo no considerado mundo ocidental, repercute-se, naturalmente, em Portugal e nas nossas vidas.
O BREXIT, prenunciando a tomada de medidas de caráter nacionalista, faz a Grã-Bretanha recuar décadas na integração, afasta-a dos seus parceiros Europeus e, afastando-a da Europa dos cidadãos e dos valores, ameaça milhares de emigrantes que acreditaram na velha democracia inglesa, de lhes cercear os direitos e de os expulsar, eles que para lá foram executar funções que os naturais não queriam e que contribuíram, com a sua força de trabalho, para robustecer a economia do país. Inexplicável regressão egocentrista e xenófoba!
Também, do outro lado do Atlântico, o novo presidente americano, ao tomar posse na semana passada, prometeu fazer do país, de novo, o mais rico e poderoso do mundo, quem sabe se à custa de acabar com as preocupações sociais, renegar as políticas ambientais e a cooperação comercial e industrial, pondo o dinheiro e o lucro acima de tudo, como sempre fez na vida, e ameaçando colocar na fronteira, murada e policiada, como o muro de Berlim, milhares de trabalhadores que, com os seus baixos salários, fizeram crescer os EUA nos últimos anos, mais do que qualquer outro país ocidental.

 

ESPERANÇA!
Contrapomos aos populismos americano e britânico a ação do Papa Francisco, que preside à Igreja Católica e a lidera com sabedoria, simplicidade e firmeza, e que granjeou rapidamente a admiração e o respeito de todo o mundo.
A sua autoridade, sabedoria e liderança são hoje reconhecidas por líderes religiosos, políticos e dirigentes, de todos os quadrantes, que as destacam e apontam como princípios e valores a seguir e sobre as quais já muito se escreveu e continua a escrever.
Francisco é, no mundo de hoje, a referência de esperança que anima os povos e o farol que nos guia no labirinto escuro dos problemas da humanidade.
O Papa é mensageiro do amor, da caridade, da solidariedade, da justiça e da paz, num mundo que, como ele referiu, está a desenvolver, aos poucos, a terceira guerra mundial.
Ele identifica e denuncia, com firmeza e clarividência, os pecados de omissão de auxílio aos emigrantes que morrem no mar, o dever de os acolher e integrar, como seres humanos que são e de salvar as crianças. Apela ao fim das guerras destrutivas e calamitosas que matam para saciar ímpetos políticos e religiosos, atentando contra a vida humana em nome de Deus.
Francisco é, verdadeiramente, o Mensageiro de Deus enviado aos homens do século XXI. Sigamo-lo!

 

FESTAS E INAUGURAÇÕES – CAÇA AO VOTO!
Populismos exacerbados, ainda longe do nosso quotidiano, mas já com adeptos e praticantes.
Abriu esta semana, na cidade de Lisboa, o ciclo de festas e inaugurações, a que iremos assistir um pouco por todo o país, em ano de eleições autárquicas.
Os dirigentes e políticos locais lançarão mão de todas as iniciativas para influenciarem os eleitores, mesmo que gastando mal gasto o dinheiro dos nossos impostos.
Tentarão, por todos os meios, comprar as consciências (e as pessoas). Se nós cidadãos, ou as nossas instituições, precisarmos de uma licença, de um projeto ou de um subsidiozinho, é o mote, há que cativar! Afinal o IMI que todos pagamos a mais cobre e dá para tudo.
O aumento de impostos continua a ser a principal fonte de receita do governo para compensar benesses aos parceiros para o primeiro ministro manter o poder de que tanto gosta. E foram dadas benesses que não o podiam nem deviam ser, como a do salário mínimo, com o sarilho da TSU, que se sabe.
Entretanto o debutante secretário de Estado Parlamentar, muito cru na matéria, sem experiência de vida, como bem se nota, veio pressurosamente afirmar, por cima do ombro, que a geringonça não precisa de mais ninguém para ir até ao fim da legislatura. Irá?
Dirigentes políticos com coluna vertebral e D grande, procuram-se. Então, no nosso distrito, dão-se alvíssaras!
O radicalismo populista tem por cá os seus adeptos!